Ribeirão Preto e seu papel crucial na Revolução Constitucionalista de 1932
Ribeirão Preto e seu papel crucial na Revolução de 1932

A Praça XV de Novembro, localizada na região central de Ribeirão Preto (SP), abriga um dos principais símbolos da participação da cidade na Revolução Constitucionalista de 1932. O Monumento ao Soldado Constitucionalista foi erguido para homenagear os combatentes que enfrentaram o governo de Getúlio Vargas em defesa de uma nova Constituição, e também serve como lembrança do papel ativo de Ribeirão Preto, que foi palco de manifestações populares durante o conflito que completa 94 anos.

Esta reportagem faz parte da série 'Histórias Escondidas', uma produção especial da EPTV, afiliada da TV Globo, para celebrar os 170 anos de Ribeirão Preto, comemorados em 19 de junho. Curiosidades, personagens marcantes e fatos pouco conhecidos ajudam a entender a trajetória de uma das cidades mais importantes do estado de São Paulo.

Revolução de 1932

A Revolução Constitucionalista teve início em 23 de maio de 1932, durante uma manifestação contra a ditadura instalada, quando os estudantes Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antonio Américo de Camargo Andrade foram mortos a tiros, supostamente disparados do alto dos prédios da Praça da República. Esse episódio deu origem ao movimento revolucionário M.M.D.C., sigla baseada nos nomes dos jovens mortos, que recrutava a população de São Paulo para lutar por uma nova Constituição.

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Em Ribeirão Preto, a causa constitucionalista também conquistou apoio popular. Uma multidão se reuniu na Praça XV de Novembro, em frente à esplanada do Theatro Pedro II, para defender o movimento, marcando o espaço como um dos principais pontos de mobilização da cidade durante aquele período.

Ribeirão Preto como base estratégica

Paralelamente às manifestações, o então 3º Batalhão de Caçadores, hoje a Polícia Militar, preparava-se para a guerra. A localização geográfica de Ribeirão Preto, próxima à divisa com Minas Gerais, fez com que a cidade assumisse uma função estratégica para as operações das tropas paulistas.

O quartel localizado na Rua Sete de Setembro, onde atualmente funciona a Delegacia Seccional, não tinha capacidade para receber todos os 800 combatentes que participavam da guerra. Diante da necessidade de ampliar a estrutura militar, a Escola Estadual Fábio Barreto foi transformada em um quartel general improvisado. Salas de aula, corredores e até o porão do prédio passaram a ser utilizados como centros de comando e inteligência dos constitucionalistas.

Monumento e a memória viva

A Revolução Constitucionalista chegou ao fim em 2 de outubro de 1932, com a rendição das tropas paulistas ao avanço das forças federais. Apesar da derrota militar, o movimento é lembrado por ter contribuído para a convocação da Assembleia Constituinte que resultou na Constituição de 1934.

Anos depois, a Praça XV recebeu o Monumento ao Soldado Constitucionalista, construído para homenagear os homens que participaram da revolução. A obra tornou-se um dos marcos históricos mais conhecidos do centro de Ribeirão Preto e um dos principais símbolos da memória do conflito na cidade.

A memória da Revolução Constitucionalista também está presente em outros pontos de Ribeirão Preto, como a Avenida Nove de Julho, que faz referência à data de início do movimento. A via homenageia os moradores que participaram da revolução e ajuda a preservar a lembrança de um dos episódios mais marcantes da história política paulista e da participação de Ribeirão Preto no conflito.

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