Guanabara, o bar mais antigo de SP, renasce com novo menu e programação cultural
Guanabara, bar mais antigo de SP, renasce com novidades

Com quase seis décadas de casa, Edivalson Ferreira da Silva, o Vavá do Bixiga, de 75 anos, é o funcionário mais antigo do Bar Guanabara, o mais antigo em atividade ininterrupta na cidade de São Paulo. Com 116 anos de história, o estabelecimento localizado na Avenida São João, colado ao Vale do Anhangabaú, passa por uma reformulação de menu e retoma sua programação cultural para se reposicionar no circuito turístico e gastronômico da capital paulista.

História centenária

O Guanabara foi fundado em 1910 pela família do imigrante Ângelo Martinez, na Rua Boa Vista, próximo ao Largo de São Bento. Em 1968, o imóvel foi desapropriado para dar lugar à Estação São Bento do Metrô. Na mesma época, Nelson de Abreu Pinto, que administrava o restaurante A Brasileira no Edifício Baraúna, comprou a marca da família Martinez e transferiu o bar para o endereço atual, que já abrigara o histórico Bar e Restaurante Pinguim.

“Como frequentador e fã do Guanabara, meu pai não quis deixar que o bar deixasse de existir. Ele comprou a marca e abriu aqui”, disse Edson Pinto, filho de Nelson, que assumiu o controle após o falecimento do pai no ano passado.

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Decadência e recuperação do centro

O processo de decadência do Centro de São Paulo, do final dos anos 1980 até o começo dos anos 2000, afetou o Guanabara. A pandemia de Covid-19 agravou a situação. “O Guanabara só não fechou por amor. Com altos e baixos, vivemos uma montanha-russa na região”, falou Edson. “Felizmente, vejo agora que a região está vivendo um momento de recuperação, com apoio da Prefeitura, do Governo e da iniciativa privada. Estamos prontos para viver um novo auge”, completou.

Novidades no cardápio

Sob o comando do chef Rafael Spencer, a casa reformulou o menu. Entre os lançamentos estão o Risoto de Ossobuco à Dr. Nelson, em homenagem a Nelson de Abreu Pinto, e o Nhoque à Adoniran, criado em referência ao cantor e compositor Adoniran Barbosa. O prato combina nhoque, molho pomodoro, tomate-cereja confitado, rúcula, lascas de filé-mignon e molho bechamel.

“Nossa proposta é trazer novidades que dialoguem com a história da casa e com o público atual. Cada prato novo foi pensado para valorizar nossa tradição e, ao mesmo tempo, apresentar novas experiências gastronômicas aos clientes”, afirma o chef Rafael Spencer. “Como diz o Edson, a gente é antigo, mas não é velho”, completou.

Programação cultural

O Guanabara retomou sua programação cultural. Às sextas-feiras, recebe apresentações durante o almoço; aos sábados, rodas de chorinho e samba sob curadoria do músico Guga Stroeter e da produtora Priscila Dias. A casa também promove o projeto Guanabara Disco, com DJs tocando flashbacks dos anos 1970 aos anos 2000, uma quinta-feira por mês, das 18h às 23h.

O reposicionamento estratégico, iniciado este ano, é conduzido pela Studio ODE, hub de estratégia, cultura e desenvolvimento territorial. O trabalho visa reposicionar o bar no circuito turístico e gastronômico da cidade, valorizando seu papel como guardião de uma memória centenária.

Vavá do Bixiga: o guardião da memória

Vavá, que saiu do município de Uauá, na Bahia, está no Guanabara desde os anos 1970. Ele se lembra do amigo Adoniran Barbosa, que batia sambas na caixinha de fósforo durante o almoço; das visitas constantes de Mazzaropi; das mesas recheadas de intelectuais como Menotti Del Picchia e políticos como Jânio Quadros, Mário Covas e Franco Montoro.

“O Guanabara é um pedaço da minha vida”, disse Vavá, que não pensa em se aposentar. Ele também está animado com a possibilidade de sentir, outra vez, as mesmas sensações do auge do bar. “O Guanabara está tão forte quanto era lá nos anos 70”, avisou. Vavá tem mais de 10 livros lançados e é poeta popular. “Ah, eu tenho poemas sobre São Paulo. Mas agora estou pensando em escrever um poema para o Guanabara. Esse lugar merece”, avisou.

Serviço

Bar Guanabara: Av. São João, 128, Centro Histórico de São Paulo. Funcionamento: almoço de segunda a sexta, das 12h às 16h; sábados, das 12h às 17h.

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