Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, ainda tenta se reconstruir dois anos depois da enchente de 2024, quando 90% da cidade ficou submersa na pior tragédia climática do estado. Nos bairros mais atingidos, o silêncio substituiu a rotina movimentada e transformou a área em um acúmulo de casas vazias e ruas quase sem moradores.
Na Vila da Paz, uma das áreas mais atingidas, deixar o bairro se tornou o caminho de muitos moradores, decisão marcada pelo medo provocado pela possibilidade de novas cheias. O município tem 15 pontos classificados como de risco ou alto risco de enchentes pelo Serviço Geológico do Brasil.
Antes da cheia histórica de 2024, cerca de 40 mil pessoas viviam na cidade. Hoje, parte da população foi para outros municípios. Segundo a Associação de Empresários de Eldorado do Sul, 1.253 contratos do programa de Compra Assistida foram firmados e mais de 80% dessas famílias deixaram a cidade definitivamente.
A saída em massa impactou diretamente a economia local, com comércio enfraquecido, falta de trabalhadores e menos consumidores. Apesar disso, há quem escolha ficar e investir, como Vinícius Kohls, que aplicou cerca de R$ 120 mil em um novo empreendimento. Ele registrou alagamentos recentes após poucos minutos de chuva e cobra a construção do dique de proteção.
Considerada a principal obra contra cheias, o dique virou símbolo de uma promessa que se arrasta há décadas. A Defesa Civil informou que o projeto foi recalculado para suportar volumes como os de 2024 e está na fase de anteprojeto. A estrutura prevista terá 8,7 quilômetros, em formato de ferradura, e a estimativa é que as obras comecem em 2027.
O comerciante Marcos Cruz está investindo as economias na reabertura da primeira lotérica da cidade após as enchentes. A prefeitura afirmou que muitas pessoas já começaram a voltar e os comércios a se reerguer, com obras estruturantes em andamento. O governo do Estado confirmou que a licitação do sistema de proteção contra cheias está prevista para 2026.



