A Zona da Mata mineira registrou 72 mortes devido às chuvas da última semana de fevereiro, tornando-se o quarto pior desastre pluviométrico do Brasil na última década, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O número coloca a região entre os episódios mais letais do país, atrás apenas das tragédias de Petrópolis (2022), Rio Grande do Sul (2024) e Região Metropolitana do Recife (2022).
Juiz de Fora foi a cidade mais atingida, com 65 óbitos, seguida por Ubá, com 7 mortes. O temporal do dia 23 de fevereiro, que registrou entre 100 e 150 mm em seis horas, provocou deslizamentos e enchentes que deixaram mais de 8.500 desabrigados e desalojados. Juiz de Fora é a terceira cidade com maior volume de chuva no país em 30 dias, um índice que, segundo especialistas, sai do comportamento natural.
No bairro Esplanada, em Juiz de Fora, cinco pessoas morreram. Moradores, como Washington Luiz de Oliveira, construíram contenções improvisadas para evitar novos deslizamentos, mas vivem a incerteza sobre a possibilidade de retorno às suas casas. Em Ubá, o comerciante Jucelito Gomes relatou que a água ultrapassou um metro e meio de altura no centro da cidade, destruindo lojas e causando prejuízos a centenas de pessoas.
O Cemaden destaca que a tragédia da Zona da Mata é o maior desastre por chuvas desde as enchentes no Rio Grande do Sul, em maio de 2024. As cidades de Cataguases e Matias Barbosa também foram severamente afetadas, mas não registraram mortes. O ranking dos desastres mais letais da década inclui Petrópolis (233 mortes), Rio Grande do Sul (184), Região Metropolitana do Recife (128) e Zona da Mata (72).



