Cartas dos leitores: soberania, caso Master, educação e mais
Cartas dos leitores: soberania, caso Master, educação

O editorial A soberania sequestrada (Estadão, 6/6, A3) foi muito bem recebido, assim como o alerta feito ao atual governo. Para defender a soberania nacional, é necessário, antes de tudo, ser um exemplo de conduta ética e alinhar ações e decisões a esse objetivo. O equilíbrio fiscal, por exemplo, é mandatório para a soberania, pois sua falta gera inflação e impostos cada vez mais elevados (que já estão entre os maiores do mundo), juros altos, inadimplência empresarial crescente, aumento do desemprego, pobreza e miséria. Vale lembrar que um país com contas públicas sucateadas favorece a compra de suas empresas públicas e privadas a preços irrisórios pelo capital externo, principalmente o chinês... Seria isso soberania? Isso sem falar na insegurança pública que vivemos, com o aumento da criminalidade e de organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho. Que soberania é essa, se nem conseguimos mais sair de casa ou estar nela em paz, com medo de sequestros, assaltos e outras maldades?

Caso Master: delação a conta-gotas

A possível delação de Daniel Vorcaro pode representar um dos maiores testes recentes para a credibilidade das instituições brasileiras. Quando suspeitas alcançam figuras influentes dos Três Poderes, a sociedade espera que as provas falem mais alto que interesses políticos ou institucionais. A imprensa tem divulgado informações que alimentam dúvidas legítimas. No entanto, as negociações e decisões mais importantes ocorrem longe dos olhos do público, aumentando a desconfiança de quem espera esclarecimentos. Ninguém deve ser condenado sem provas. Mas também ninguém deveria estar acima delas. A lei deveria ser cega. O problema começa quando os cidadãos passam a suspeitar de que ela enxerga muito bem quem está diante dela. Quando isso acontece, a dúvida deixa de ser jurídica e passa a ser moral. O Brasil não precisa de versões convenientes nem de verdades pela metade. A dúvida dos brasileiros é simples: toda a verdade será colocada sobre a mesa ou apenas a parte que couber fora do tapete?

Nova Lava Jato

Parece que estamos caminhando no Supremo Tribunal Federal (STF) para transformar o caso Master numa nova Lava Jato, e assim tudo continuar como dantes no quartel de Abrantes. Ou seja, precisa desenhar?

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Docência e formação

Dados da Prova Nacional Docente, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), mostram que mais de um terço dos professores avaliados não tem condições de ministrar aulas. Consequentemente, alfabetizar, ensinar Matemática e formar leitores estão entre os maiores problemas. O governo cria programas para facilitar o acesso de alunos oriundos das escolas públicas nas universidades, mas pouco ou nada faz para a formação da base. No passado, o ensino público superava em qualidade a escola privada, conhecida pejorativamente como aquela em que “pagou, passou”. A sociedade evoluiu, leis obrigam os pais a colocar os filhos na escola, mas o problema reside na formação dos professores. Já não se fazem professores como os de antes.

Populismo: ‘Doença terrível’

O artigo Por que é tão difícil remover líderes populistas do poder?, do cientista político Carlos Pereira, publicado pelo Estadão (6/6), explica brilhantemente por que populistas ficam tanto tempo no poder e, quando saem, deixam as finanças públicas arrasadas pelo fato de usarem e abusarem dos recursos do governo para alimentar programas eleitoreiros cujo objetivo é garantir o voto dos necessitados que, à falta de crescimento econômico, dependem da assistência social. Populismo é uma doença terrível.

Seleção brasileira: último amistoso

A dias da estreia na Copa do Mundo, a seleção de Carlo Ancelotti venceu, mas não convenceu na apertada vitória por 2 a 1 contra o Egito, dando provas de que ainda faltam muito treinamento e entrosamento para fazer bonito na busca pelo hexa. Oremos e torcemos. Vai, Brasil!

Sigilo de 100 anos

O que leva um presidente da República a impor sigilo de 100 anos a processos de liberação de bets? É o que acaba de fazer o governo Lula. Acho esse expediente válido, mas apenas sob certas condições legais, previstas e decentes. Não parece ser o caso, ainda mais considerando de quem partiu a decisão. Depois, não sabem por que o nível de conhecimento e de estudo do estudante brasileiro está baixíssimo.

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Marcha para Jesus

O presidente Lula afirmou que não participou da Marcha para Jesus para não passar a ideia de uso político de um ato religioso. Balela. Bem que gostaria, mas a paúra dos apupos com que, certamente, seria homenageado o fez refletir e permanecer no aconchego do Palácio, orando, por garantia, a todos os santos. O uso do chapéu Panamá fica para outros palanques, com claques ensaiadas.

Frases de efeito

O presidente Lula é especialista em usar frases de efeito. Sabe, como ninguém, utilizar frases que disfarçam seus erros administrativos junto ao seu eleitorado. Através delas, recebe os aplausos que necessita para sentir-se mais seguro e apaziguar sua vaidade. Confiante nos seus efeitos, não se importa se diplomaticamente está prejudicando o País.

Realidade ou ficção

A ficção copia a realidade ou a realidade copiaria a ficção? Não por acaso, a questão me remete a uma película dos áureos tempos do neorrealismo italiano, estrelada por astros de primeira grandeza, como Totó e Vittorio Gassman. O roteiro envolvia uma proposta feita a um pobretão endividado para que passasse um tempo na cadeia no lugar de um presidiário abastado, em troca da quitação de suas dívidas. O artifício funcionou, e a pena do rico foi paga pelo pobre. Às vezes, tenho a impressão de que coisas desse tipo possam acontecer por aqui, no país do jeitinho. Como no caso, por exemplo, da prisão do dono do banco Master e das intermináveis negociações da tal delação premiada.

Prova Nacional Docente

A Prova Nacional Docente escancara uma realidade que há anos se tenta esconder sob relatórios e discursos otimistas. Revela que muitos professores chegam às salas de aula sem domínio adequado do conteúdo que deveriam ensinar. O resultado aparece nos alunos que não aprendem e nos índices insatisfatórios da educação pública. Quando alguém aponta essa realidade, surgem os defensores do faz de conta. Avaliar o professor parece proibido, embora ninguém hesite em avaliar o aluno. Mas os números falam por si. Se a formação docente está na UTI, o aprendizado das crianças ocupa o leito ao lado. Durante anos, multiplicaram-se secretarias, assessorias, planos e conferências. A burocracia cresceu, mas a qualidade do ensino não acompanhou o mesmo ritmo. Valorizar o professor não significa ignorar falhas na formação, mas oferecer preparo sólido, acompanhamento permanente e condições adequadas de trabalho. O aviso vem sendo dado há muito tempo. Se o remédio aplicado durante décadas não funcionou, é preciso mudar o tratamento. Se a formação docente chegou à UTI, convém lembrar que o Ministério da Educação esteve ao lado do leito durante todo o agravamento do quadro.

Formação de professores

Português e Matemática são as áreas principais avaliadas na formação de professores, mas as falhas estão em todas elas. Basta ver os índices de acerto dos candidatos em provas de concurso público, por exemplo. É notório que a educação à distância não tem como ser eficiente como formação inicial. É uma excelente ferramenta na formação complementar para quem já possui uma graduação. No mais, desde o início, sabíamos que se transformaria em caça-níqueis. Não via quem não queria. O Ministério da Educação deve ser mais rigoroso agora com esses cursos, mas o cerne da questão está longe de ser atingido, que é a valorização (salarial e social) do professor.

Recuperação extrajudicial

Sobre o acordo de recuperação extrajudicial da Raízen, de R$ 64,7 bilhões: por que não se buscou uma solução quando o rombo ainda era de R$ 20 bilhões? Deixar a dívida chegar a esse patamar astronômico para só então negociar com os credores beira o inaceitável. Afinal, expandir os negócios acumulando obrigações sem quitá-las é muito fácil. Resta saber se a Justiça vai chancelar – e, na prática, incentivar – esse tipo de gestão ao homologar a proposta.

Mercados globais

Os mercados globais elevaram significativamente as expectativas para as taxas de juros das principais economias. Os motivos residem na elevação dos preços, devido à extensão do conflito no Oriente Médio, e na resiliência da atividade econômica norte-americana. Juros mais altos significam déficit nominal maior, o que acarreta elevação da dívida pública. Tudo mais constante, estima-se que o resultado primário necessário para estabilizar a dívida norte-americana neste ano esteja em torno de 0,5% do PIB. Porém, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta déficit primário de 3,7% do PIB. Na Europa, a situação não é muito mais confortável, e o caso mais delicado é o da França. Enquanto o superávit necessário seria de 0,3% do PIB, o déficit primário projetado será de 2,7% neste ano. A Alemanha também deveria fazer ajuste fiscal, mas sua dívida é mais baixa. Já Itália e Espanha estão fazendo a sua parte. O desafio adicional é ajustar as contas em meio às tensões políticas promovidas por populistas de esquerda e de direita. Sem resoluções plausíveis à frente, teremos mais volatilidade e mais gastos com juros. O Brasil também sofre indiretamente.

Caneta emagrecedora

A comercialização e o uso das canetas emagrecedoras estão longe de ser apenas uma questão econômica ou de mercado. Tocam também num grave problema de saúde pública: a epidemia nacional de obesidade. Até o momento, os fármacos usados nessas canetas trazem outros benefícios importantes além da perda de peso, tais como a prevenção de doenças cardiovasculares e de problemas psíquicos e sociais associados à obesidade, como exclusão e baixa autoestima. Seria bom se o Sistema Único de Saúde subvencionasse esses medicamentos, já que os preços são inviáveis para a maioria da população. Economizaria, assim, no tratamento de doenças cardiovasculares, diabetes e câncer na população mais necessitada.

Situação preocupante

É normal a escolha de Ancelotti por Éderson, mas eu levaria outro nome (Mauro Beting, Estadão, 7/6). A situação é muito mais preocupante, prezado Mauro. Num país de dimensões continentais, apaixonado por futebol, com 778 clubes profissionais em atividade, não temos substitutos à altura, especialmente nas alas. Na minha modestíssima opinião, e com todo o respeito aos atletas, os atuais convocados não reúnem condições técnicas para defender o selecionado brasileiro – e muito menos seus eventuais substitutos. Bons tempos aqueles em que o futebol brasileiro tinha, para cada posição, quatro ou cinco grandes jogadores.

Sugestões para a Copa

Os testes acabaram, e eu faria algumas mudanças. Faz oito anos que as bolas importantes que chegam ao gol do Alisson acabam entrando. Marquinhos joga só com o nome há tempos. Casemiro, nervosinho e com seus carrinhos, vai ser expulso logo. Vinicius Jr. precisa de um psicólogo urgente para acalmar sua potência e transformá-la em efetividade. Ficam aqui essas sugestões, que podem não ser as melhores – afinal, não recebo R$ 5 milhões por mês.

Guto Miguel

Guto Miguel vence Roland Garros juvenil e se torna 1º brasileiro campeão do torneio (Estadão, 6/6). Parabéns, Guto, por essa vitória. Será um exemplo a ser seguido. É importante lembrar que, por trás de um grande campeão, existe uma grande família. Parabéns ao campeão e aos seus familiares por manterem o garoto muito bem assessorado e sem pressão excessiva, obtendo, assim, os melhores resultados.

Fórmula 1

Bravíssimo, Kimi Antonelli! Aos 19 anos, o italiano venceu em Mônaco e confirmou a ascensão meteórica na Fórmula 1. Lewis Hamilton, sete vezes campeão mundial, ficou em segundo.

Avenida Paulista

Acredito que proibir todos os eventos na falida e desrespeitada Avenida Paulista deveria ser prioridade do prefeito e dos vereadores. Afinal, a Paulista virou palanque e point para qualquer um que solicite, além de envolver Polícia Militar, Guarda Municipal e outros custos. Por que ninguém ainda pensou no Campo de Marte, onde existe espaço e alguns eventos já se destinam a esse lugar? Na Paulista, além de todo o transtorno, até para o uso do metrô e a segurança dele, existem inúmeros hospitais de porte e essenciais para a saúde da cidade. Já passou da hora de isso acontecer. Respeito é quando todos respeitam todos, sejam maiorias ou minorias.

Fontes do Masp

Quem circula pela Avenida Paulista sabe que o fluxo de pedestres é intenso em qualquer dia da semana. Apesar da boa largura das calçadas, há um ponto crítico que merece atenção da Prefeitura: as fontes localizadas nos extremos do prédio principal do Masp. Essas fontes, sempre inoperantes, sem adentrar na questão da água parada, provocam um estrangulamento da circulação de pedestres, dificultando, inclusive, a continuidade dos pisos podotáteis para pessoas com deficiência visual. Não é raro ver pedestres se aventurando pela faixa de ônibus para contornar esse estreitamento. Ainda que existam restrições relacionadas ao tombamento, entendo que a segurança e a acessibilidade das milhares de pessoas que por ali passam devem prevalecer, preservando-se uma largura de passagem compatível com o grande volume de pedestres que circula diariamente pela região.