A casa noturna Bahamas Hotel Club, localizada no bairro de Moema, na zona sul de São Paulo, encerrou suas atividades após mais de três décadas de funcionamento. O fechamento foi confirmado pela família do empresário Oscar Maroni, fundador do estabelecimento, que faleceu em dezembro de 2025, aos 74 anos. Os motivos do encerramento não foram divulgados; a reportagem aguarda retorno da família.
História de polêmicas e processos
Conhecida por oferecer atrações ao público adulto, a casa noturna conviveu com polêmicas e processos judiciais ao longo dos anos. Em seu site, o Bahamas se apresentava como a “casa tradicional da noite paulistana” que “personifica o luxo” e promovia “uma busca contínua pelo prazer” com “requinte e discrição”. Um tour virtual destacava as suítes exóticas, com serviços de hotelaria, bar e gastronomia, incluindo cartas de vinhos e charutos, descrito como “o convite perfeito para que casais liberais, homens e mulheres desfrutem o maior centro de entretenimento para adultos da América Latina”. Uma cascata enfeitava o salão principal.
A publicidade explícita levou Maroni, conhecido como “Rei da Noite”, a ser investigado e processado por favorecimento à prostituição. Ele ficou preso entre agosto e outubro de 2007, foi condenado em primeira instância, mas acabou absolvido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Conflito com a prefeitura e fechamento temporário
Em outro episódio, Maroni e o então prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), tiveram um conflito envolvendo o Oscar’s Hotel, também de propriedade do empresário. O prédio de onze andares, localizado próximo à cabeceira do Aeroporto de Congonhas e do clube Bahamas, teve seu alvará cassado por Kassab após o acidente com um avião da TAM em 2007. A alegação era de que a proximidade da edificação poderia representar risco às aeronaves e à segurança do aeroporto. Por causa disso, entre 2007 e 2013, a casa noturna ficou fechada, supostamente por falta de alvarás. Maroni conseguiu na Justiça a reabertura do estabelecimento.
Tentativas na política e pandemia
Conhecido pela fama do Bahamas, Maroni tentou entrar na política. Em 2008, foi candidato a vereador de São Paulo pelo PTB e, em 2018, candidatou-se a deputado federal pelo PROS, mas não obteve votos suficientes para se eleger. Em 2021, durante a pandemia de Covid-19, o hotel foi interditado após uma operação que flagrou dezenas de pessoas em uma festa clandestina, sem máscaras e distanciamento social, então obrigatórios. Maroni assinou um acordo com o Ministério Público para encerrar o processo.
Nos anos seguintes, a casa reduziu sua presença nas redes sociais. A última postagem do Bahamas Club no Instagram, em 22 de fevereiro de 2021, celebrava a vitória de Bruno Covas à prefeitura de São Paulo: “Covas ganhou as eleições e os clientes Bahamas ganham a primeira cerveja grátis!”.
Morte do fundador e reestruturação
Em 2024, a família revelou que Maroni tinha Alzheimer e estava em uma casa de repouso. Ele morreu em 31 de dezembro de 2025, aos 74 anos. Na ocasião, os filhos publicaram nota afirmando que, em sua homenagem, o Bahamas continuaria aberto “sempre na busca contínua pelo prazer”. Com a morte do fundador, o Bahamas passou por um processo de reestruturação comandado pelos filhos e herdeiros Aratã e Aruã. Outro irmão, Acauã, entrou na gestão da casa, enquanto a irmã Aritana preferiu manter seus próprios negócios.



