Aos 99 anos, idosa vende bolachas caseiras e faz sucesso em SP
Aos 99 anos, idosa vende bolachas caseiras em Pitangueiras

Aos 99 anos, a aposentada Benicta Caroni Godoy, moradora de Pitangueiras, no interior de São Paulo, transformou o hábito de assar bolachas caseiras em uma fonte de renda que abastece o comércio local e atrai clientes de toda a região. Prestes a completar 100 anos em dezembro, ela é exemplo de disposição e saúde, mantendo uma rotina ativa que inclui exercícios físicos e produção diária de quitutes.

Do passatempo ao negócio

O que começou como uma forma de agradar familiares e conhecidos tornou-se um trabalho em 2014. Benicta não utiliza livros de receitas ou medidas exatas — a dosagem dos ingredientes é feita no "olhômetro", e as fornadas são preparadas manualmente. A produção diária conta com opções variadas, como bolacha de nata, palitinho francês, cavaca portuguesa e bolachinha de fubá. A receita de nata, por exemplo, é feita da mesma forma desde 1948, somando quase oito décadas de tradição.

O negócio começou durante aulas de pilates. Após levar a iguaria para as colegas provarem, os pedidos não pararam mais. "Aí eu levei um pacote desse daqui para elas tomarem café. Aí elas gostaram, pediram a receita, mas não fizeram, falaram: 'Tia, não sai bolachinha aqui'. Aí eu falei: 'Então, a hora que você quiser, eu faço'. Aí comecei a fazer, tem uma porção de freguesas ali, e umas de fora também. Tenho bastante freguesia", relembra a aposentada.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Sucesso de vendas e tradição

A demanda cresceu tanto que o sobrinho da doceira, o comerciante Júnior Caroni, decidiu levar os pacotes para revenda no próprio empório. O resultado superou as expectativas logo nos primeiros dias. "Ela faz aqui e é diferenciado, né? Eu falei: 'Tia, vamos pegar e levar isso para a loja, que vai estourar de vender'. E é o que acontece. Ela leva fresquinha e todo dia tem gente atrás dessa bolacha lá. Isso não pode faltar", relata Júnior.

Na hora de explicar o que garante o sabor tão elogiado dos quitutes, a justificativa é simples. "Eu acho que é o amor que eu tenho nelas, porque eu gosto de fazer demais, todas", afirma Benicta.

Exercícios e rotina

A disposição para dar conta de todas as encomendas chama a atenção da família. Além de preparar as fornadas, a rotina da idosa inclui atividades físicas. Ela faz aulas de hidroginástica duas vezes por semana, caminha na esteira e usa a bicicleta ergométrica. Para completar, também pula no pula-pula infantil para se manter ativa. "Esteira, né? Esteira, pula-pula", conta a idosa.

A independência e a vitalidade geram admiração dentro de casa. "Eu tenho orgulho dela, né? Tenho muito orgulho. É bonito de ver", afirma o filho, o comerciante Antônio Henrique Godoi.

Disposição para viver

Mãe de quatro filhos, a aposentada perdeu um deles em abril deste ano. Apesar do luto, ela manteve a rotina e a vontade de viver. A casa vive cheia de parentes e amigos que se reúnem para buscar os pacotes recém-saídos do forno e aproveitar o café da tarde. Para a mulher que fará 100 anos no dia 5 de dezembro, a longevidade exige a mesma dedicação usada no preparo dos quitutes. Dona Benicta diz que não há fórmula mágica, mas é preciso respeitar o tempo de cada processo da vida. "A gente tem que ter muita paciência, né, também. Não é só alegria, né? Vou fazer 100 dia 5 de dezembro. Se Deus quiser, com muita saúde", conclui.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar