A fotógrafa carioca Marcella Saraceni, de 33 anos, lançou um ensaio-manifesto que questiona a chamada 'cromofobia' e a predominância de tons neutros na estética contemporânea. Inspirada pelo colorido vibrante da Ilha do Marajó, no Pará, a artista clicou suas modelos nas areias do Arpoador, no Rio de Janeiro, para defender a autenticidade e a riqueza cultural brasileira.
O que é cromofobia?
O termo 'cromofobia' refere-se ao medo ou aversão a cores vivas, que muitas vezes são substituídas por paletas neutras e minimalistas. Saraceni critica essa tendência, que considera uma imposição estética que apaga a diversidade e a alegria típicas do Brasil. Em seu ensaio, ela busca resgatar a importância das cores como expressão de identidade e resistência cultural.
Inspiração na Ilha do Marajó
A fotógrafa explica que a Ilha do Marajó, com suas paisagens exuberantes e cultura rica, foi a principal fonte de inspiração. 'As cores do Marajó são um convite à vida, à celebração. Não podemos nos render a um mundo sem cor, sem personalidade', afirma Marcella. O ensaio, intitulado 'Cromofobia', traz modelos vestidas com peças coloridas e adereços que remetem à cultura paraense, em contraste com o cenário urbano e natural do Arpoador.
Um manifesto visual
Mais do que um ensaio fotográfico, o trabalho de Saraceni é um manifesto contra a neutralidade como única forma de elegância. Ela defende que o minimalismo, quando imposto, pode ser uma forma de apagamento cultural. 'O Brasil é um país de cores, de misturas. Nossa estética deve refletir isso, e não seguir padrões internacionais que nos descaracterizam', completa a fotógrafa.
O ensaio já circula nas redes sociais e tem gerado debate sobre a relação entre moda, identidade e resistência. Para Marcella, a fotografia é uma ferramenta poderosa para provocar reflexões e inspirar mudanças. 'Quero que as pessoas se sintam livres para usar as cores que quiserem, sem medo de julgamentos', conclui.



