O governo de Pernambuco decidiu suspender a vacinação de profissionais de saúde contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada após recomendação do Ministério da Saúde, que descontinuou temporariamente a estratégia atual de aplicação da vacina, como forma de precaução para investigar 42 reações severas possivelmente ligadas ao produto.
O que motivou a suspensão?
A suspensão ocorre por precaução, enquanto as autoridades de saúde investigam 42 casos de reações severas que podem estar associadas à vacina do Butantan. A medida não afeta a vacinação de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, pois o imunizante destinado a essa faixa etária é a Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda, que continua sendo aplicado normalmente.
Vacina do Butantan: público-alvo e histórico
A vacina do Butantan era destinada a pessoas de 15 a 59 anos. Em fevereiro, foi liberada a imunização de profissionais de saúde dentro dessa faixa etária. Até então, apenas a vacina Qdenga era aplicada no país, para o público de 10 a 14 anos.
Na terça-feira (9), o Programa Estadual de Imunizações emitiu uma nota técnica aos municípios pernambucanos, recomendando a suspensão temporária da vacinação dos profissionais de saúde e orientando o armazenamento adequado das doses do Butantan.
O que dizem as autoridades?
O presidente do Instituto Butantan, Esper Kallás, afirmou que os profissionais que já receberam a vacina estão protegidos contra a dengue e não devem se preocupar. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) orientou que os profissionais imunizados nos últimos 21 dias procurem acompanhamento em uma unidade de saúde local para monitorar possíveis reações adversas.
As gestões municipais também foram orientadas a registrar eventuais efeitos adversos atribuídos à vacinação.
Números da vacinação em Pernambuco
Até abril, Pernambuco recebeu 36 mil doses da vacina do Butantan, mas apenas 11.711 foram aplicadas em profissionais da atenção primária no estado, conforme registros na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). Durante a suspensão, as doses restantes devem ser armazenadas nos estoques da Rede de Frio Municipal.
A suspensão temporária não significa que a vacina seja insegura, mas sim uma medida de precaução para garantir a segurança dos vacinados. As investigações continuarão para determinar se há relação causal entre as reações e o imunizante.



