21ª CineOP homenageia Helena Solberg com foco no cinema feminino
21ª CineOP homenageia Helena Solberg e cinema feminino

A 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto começa nesta quinta-feira, dia 25, na cidade histórica mineira, com uma homenagem à cineasta Helena Solberg. O festival, que tem como eixo central a preservação da matéria fílmica, expande seu tronco tradicional em várias direções neste ano, com ênfase no universo feminino.

Eixo temático: 'Como elas começaram'

Além da homenagem a Helena Solberg, um dos eixos temáticos principais da mostra se intitula 'Como elas começaram', abordando os primeiros filmes de várias autoras em diferentes épocas da produção nacional. As obras selecionadas incluem 'Feminino Plural' (Vera de Figueiredo, 1976), 'Mar de Rosas' (Ana Carolina, 1977), 'Que bom Te Ver Viva' (Lúcia Murat, 1989), 'Um Céu de Estrelas' (Tata Amaral, 1996) e 'Um Dia com Jerusa' (Viviane Ferreira, 2020).

Abertura com filmes de Helena Solberg

Na abertura, na Praça Tiradentes, o público poderá conferir o caráter inovador do cinema de Helena Solberg com a exibição de 'A Entrevista' (1966) e 'Meio-Dia' (1970). 'A Entrevista' é considerado um marco do cinema feminista: a cineasta grava depoimentos de moças de classe média alta sobre casamento, beleza, sexo, virgindade, trabalho e liberdade, enquanto as imagens mostram uma parente da diretora se preparando para o casamento. O efeito da disjunção entre som e imagem é demolidor, fazendo refletir sobre o pensamento conservador nas camadas médias brasileiras.

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Já 'Meio-Dia', ficcional, dialoga com clássicos como 'Zero de Comportamento', de Jean Vigo, e 'Os Incompreendidos', de François Truffaut, retratando uma revolta juvenil em ambiente escolar.

Trajetória de Helena Solberg

Após esse início promissor, Helena Solberg mudou-se para os Estados Unidos, onde viveu por muitos anos e desenvolveu uma intensa atividade como documentarista, permanecendo relativamente invisível no Brasil. Ela retornou ao cenário nacional com a cinebiografia 'Carmen Miranda – Bananas is my Business' (1994), que mescla pesquisa de imagens com material encenado em formato híbrido, escalando uma pessoa trans para representar a cantora.

Anos depois, realizou a adaptação sensível do livro 'Vida de Menina' (2004), de Helena Morley, com Ludmila Dayer no papel principal, uma observação da vida em Minas Gerais no século XIX pós-abolição. Em seguida, voltou ao documentário com 'Palavra (En)cantada', que explora a canção brasileira.

Mostra competitiva e outras atividades

Entre as atividades programadas estão mesas redondas, palestras e lançamentos de livros. A CineOP repete a experiência do ano passado com uma mostra competitiva, avaliando longas que reprocessam criativamente material de arquivo. Os concorrentes são: 'Instante Prodígio', de Luiza Lindner; 'Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas', de Carlos Adriano; 'Notas sobre um Desterro', de Gustavo Castro; 'Universo Circular – Jocy de Oliveira', de Dácio Pinheiro; e 'Apopcalipse Segundo Baby', de Rafael Saar.

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