Humorista gaúcha viraliza criticando homens e transforma vivências em stand-up
Humorista gaúcha viraliza criticando homens em stand-up

A humorista gaúcha Carol Delgado viralizou com o bordão 'falando mal de homem' e, agora, transforma suas experiências em um stand-up que conquista o público. Em entrevista ao g1, ela revela que, apesar das piadas sobre relacionamentos, traições e autoestima, o foco não são os homens, mas sim as mulheres. A comediante usa situações da própria vida para abordar temas como assédio, términos, cobranças e julgamentos, que ela acredita serem comuns na vida de outras mulheres.

Carreira e origem

Natural de Porto Alegre, Carol cresceu na Cohab Rubem Berta, na Zona Norte da capital gaúcha. Antes de se dedicar à comédia, trabalhou como vendedora em shopping, estoquista em loja de roupas, atendente de call center e organizadora de ONG. Chegou a cursar Políticas Públicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente, percorre o Brasil com o show 'Energia Feminina'. Ela sempre quis ser comediante, mas a realidade em que cresceu era 'pé no chão', e terminar a escola e começar a trabalhar era o caminho comum.

Mudança de foco

Carol começou fazendo vídeos sobre o Rio Grande do Sul, mas gradualmente o humor se aproximou de temas ligados à vivência feminina. Ela afirma que essa mudança não foi planejada como uma bandeira, mas sim como uma expressão de sua própria experiência. Para ela, o stand-up é uma comédia confessional, construída a partir do ponto de vista de quem está no palco.

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A humorista não se incomoda com a fama de 'falar mal de homem'. Ela observa que a reação do público revela uma diferença na percepção de homens e mulheres no humor: a experiência masculina é vista como universal, enquanto a feminina é tratada como nicho. 'A comédia de stand-up é confessional, pessoal, intransferível. Mas como é dominada por homens, normalizamos a experiência masculina', diz.

Temas abordados

Carol aborda temas como traição, términos e assédio, que não são casos isolados, mas situações em que outras mulheres se reconhecem. Ela acha engraçado que, quando um homem fala mal da esposa, não é visto como falar mal de mulheres, mas quando uma mulher faz o mesmo, é criticada. 'Eu não tenho como falar de autoestima sem falar de homem, de faculdade sem falar de homem, de emprego sem falar de homem, porque isso interpela as relações da feminilidade o tempo inteiro', afirma.

Cobranças e julgamentos

Em seus shows, Carol também aborda a cobrança maior sobre as mulheres. Ela cita sua própria experiência no início da carreira, quando era julgada rapidamente, enquanto homens com mais tempo de comédia recebiam mais tolerância. 'Quando comecei, com um mês de comédia, as pessoas diziam 'nossa, é muito ruim'. Um cara com 20 anos de comédia, se fizesse um show ruim, diziam 'ah, não estava em um bom dia'', relata.

Ela deseja que as mulheres tenham as mesmas oportunidades de errar e recomeçar que os homens. 'Queria que todas as mulheres pudessem errar, errar de novo, acertar, errar de novo, até acertar', completa.

Interação com o público

A plateia reforçou esse caminho, levando histórias de relacionamentos e traições para as apresentações. Entre as brincadeiras, está a 'cobrança de pensão', em que mulheres pedem que ela provoque ex-parceiros durante o espetáculo. 'Acontecem coisas na vida delas e elas pensam: 'nossa, tenho que contar isso no show da Carol'', diz. 'As pessoas falam: 'ah, cobra pensão no show'. Tudo é muito orgânico.'

Para Carol, a troca com o público cria um ambiente de identificação. Muitas mulheres saem dos shows com sensação de alívio, mesmo sem ter vivido exatamente as histórias contadas. 'Acho que as mulheres saem como se fosse quase um culto, você vai, grita e sai de alma lavada', afirma.

Carol quer mostrar que as mulheres podem sair de relações que não fazem bem e construir outros caminhos. 'É sobre você poder se priorizar e encontrar o que você precisa. Isso me deixa muito em paz', conclui.

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