O litoral de Pernambuco voltou a ser palco de dois ataques de tubarão em menos de 24 horas, deixando um menino de 11 anos e uma jovem de 19 anos gravemente feridos. Os incidentes reacenderam o debate sobre os fatores que tornam a região uma das áreas com maior incidência desse tipo de ocorrência no mundo.
Histórico alarmante
Desde 1992, foram registrados 84 ataques e 27 mortes no estado, número que mantém Pernambuco entre as áreas mais perigosas do planeta para banhistas, com forte concentração nas praias de Boa Viagem e Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.
Resgates decisivos
Os dois episódios recentes chamam atenção pela proximidade e pelas circunstâncias. O menino foi atacado na praia de Piedade por um tubarão-cabeça-chata de cerca de 2,5 metros. Já a jovem foi mordida por um tubarão-tigre, uma das espécies mais agressivas. As duas vítimas sobreviveram graças a atendimentos imediatos de médicos que estavam no local. No caso da jovem, a perda de sangue foi intensa, e o socorro incluiu compressão manual improvisada para conter a hemorragia. Especialistas destacam que os primeiros minutos são decisivos: o sangramento maciço pode levar à morte em poucos segundos se não for contido.
Fatores naturais
Uma combinação de fatores naturais explica a alta incidência de ataques no litoral pernambucano. Um canal natural profundo corre paralelo à costa, próximo à faixa de areia, funcionando como uma via expressa para os tubarões, aumentando as chances de encontro com banhistas. As espécies mais envolvidas são o tubarão-tigre e o tubarão-cabeça-chata. Em águas turvas, comuns na região, os animais podem confundir pessoas com presas e realizar uma mordida investigatória. Os ataques são mais frequentes em períodos chuvosos, dias nublados, maré alta e lua cheia, quando o nível do mar avança sobre a areia e amplia a área de circulação dos tubarões.
Monitoramento retomado
Após mais de uma década de interrupção, pesquisadores voltaram a monitorar os tubarões na costa pernambucana. O novo projeto prevê a captura de 60 animais, que receberão transmissores para acompanhamento de deslocamentos e comportamentos. Amostras de sangue e tecido serão coletadas para análises genéticas e ambientais. Os dados devem ajudar a compreender padrões de movimentação e contribuir para estratégias de prevenção.
Tecnologias em estudo
Entre as alternativas para aumentar a segurança dos banhistas está uma tecnologia sul-africana que combina barreira física com campo eletromagnético, criando uma zona de exclusão que afasta tubarões sem causar danos. Na Austrália, drones com inteligência artificial monitoram praias e identificam tubarões, emitindo alertas. No entanto, a eficácia em Pernambuco é limitada pela baixa visibilidade do mar, que costuma ser mais turva que nas praias australianas.
Medidas atuais e desafios
Atualmente, a entrada no mar é proibida em um trecho de dois quilômetros em Jaboatão dos Guararapes, área que concentra a maioria dos ataques. Nas demais praias, placas alertam para os riscos, mas nem sempre são respeitadas. Especialistas afirmam que a solução passa por educação, monitoramento e tecnologia, e que a eliminação dos tubarões não é viável. O desafio é tornar a convivência entre humanos e tubarões mais segura.



