Em São Joaquim, na Serra Catarinense, a busca pela geada perfeita começa antes do amanhecer. Enquanto a maioria das pessoas ainda dorme, os chamados caçadores de geada já estão a postos para registrar o fenômeno que transforma a paisagem em um cenário de cristais de gelo. O Fantástico deste domingo (28) acompanhou a rotina desses profissionais que enfrentam temperaturas negativas para capturar imagens impressionantes do inverno brasileiro.
Madrugada gelada e preparação rigorosa
Às 5h da manhã, o fotógrafo Michel já monitora os pontos mais frios da região. Antes de sair, ele precisa descongelar o vidro do carro com água morna – um desafio básico do inverno rigoroso. O percurso se repete mais de 140 vezes por ano. Ao chegar aos vales, o branco sobre os campos, os animais cobertos por cristais e até teias de aranha congeladas compõem um espetáculo que atrai turistas e fotógrafos.
Como a geada se forma
Ao contrário do que muitos pensam, a geada não cai do céu. O fenômeno ocorre quando há temperaturas abaixo de zero, céu limpo e ausência de vento. Nessas condições, o vapor de água presente no ar congela ao entrar em contato com a vegetação, formando os cristais que cobrem gramados e plantações. Para obter os melhores registros, Michel já deitou sobre lagos congelados e produziu vídeos congelando camisetas, que viralizaram nas redes sociais. "Chego e vejo que as imagens saíram dos principais jornais do Brasil e do mundo. Vejo os turistas indo para cá. Então isso me dá muito orgulho", afirma.
Inspiração que atravessa gerações
A paixão de Michel pelas geadas começou nos anos 1990, ao assistir a uma reportagem sobre o frio em São Joaquim. Décadas depois, seu trabalho inspirou outras pessoas, como o produtor de maçãs Sérgio, de Bom Jardim da Serra. Intrigado por apenas São Joaquim aparecer nas reportagens, ele começou a registrar as paisagens congeladas de sua cidade há oito anos. Sérgio percorre a pé áreas da região e já teve imagens exibidas ao vivo em telejornais nacionais. No dia mais frio do ano até agora, quando os termômetros marcaram 9,2°C abaixo de zero, ele enfrentou dificuldades: "Já teve situações de eu ter que parar de filmar porque não conseguia segurar o celular. Perdi a sensibilidade das mãos", relata.



