Maxita: Documentário sobre causa indígena e mineração chega às telas
Maxita: Documentário indígena sobre mineração

Curitiba - Maxita, a pele da Terra. Maxita é um filme sobre a causa indígena, dirigido por Mariana Machado e Ana Maria Machado. O documentário acompanha Davi Kopenawa, xamã yanomami, em sua luta contra a mineração em terras indígenas.

O filme vai além da urgência do tema. Acompanha a visita de Kopenawa a Brumadinho, local de outra catástrofe ambiental no Brasil. Não só ecológica, mas também humana, tantas foram as vítimas e o impacto sobre a população. O filme procura não fazer essa distinção, tornando-a ultrapassada. Toda catástrofe ecológica é também humana, já que todos moramos aqui e não existe planeta alternativo, ao contrário do que pensam bilionários cujo cérebro não costuma acompanhar a dimensão de suas contas bancárias.

Dimensões únicas do documentário

O filme conta com dimensões algo diferentes de outros dedicados à mesma temática. Começa pelo fato singular de serem as duas diretoras (primas) originárias de Minas Gerais, estado que leva a mineração em seu nome próprio. Minas, devastada por sua própria riqueza. Minas, estado de nascimento do poeta Carlos Drummond de Andrade, um dos gênios da literatura brasileira, que escreveu poemas lamentando a destruição da paisagem de sua Itabira natal pela voracidade empresarial. José Miguel Wisnik dedicou um notável ensaio ao estudo do impacto do processo de mineração sobre a estética de Drummond (Maquinação do Mundo: Drummond e a Mineração, Companhia das Letras).

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Encontro de sábios indígenas

No filme, temos o encontro notável entre dois sábios indígenas: Davi Kopenawa e Ailton Krenak. A conversa entre eles é de antologia. Falam de como a postura do homem branco diante do meio ambiente não apenas é predatória e ameaçadora, mas também ridícula. A ambição voraz, fruto da ideia incrivelmente tola de que não existem limites à exploração econômica do planeta. A fé cega de que fora do crescimento contínuo não existe salvação. Tudo isso conduz a esse trem desgovernado que atende pelo nome de capitalismo.

Tudo isso está nesse belo filme, e talvez condensado num plano cinematográfico de rara inspiração. A câmera registra a aridez da cidade enorme (Belo Horizonte) e dela se afasta lentamente, em plano aéreo, até a periferia, quando começamos a ver, com espanto, a terra arrasada pela mineração que circunda a cidade. Um filme de terror, em que o drone capta, de forma implacável, o tamanho da nossa alienação.

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