Estudantes de ensino médio criaram um sistema de inteligência artificial (IA) capaz de detectar balões de São João, objetos voadores proibidos no Brasil por causarem incêndios florestais. O projeto, chamado Safe Skies, foi desenvolvido por Leonardo Paschoal e Lara Schusterschitz, alunos do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, sob orientação do professor Rodrigo Assirati.
Como funciona o sistema
O Safe Skies utiliza câmeras de vigilância instaladas em pontos estratégicos para escanear o céu em um raio de até 2 quilômetros. Quando um balão é identificado, o sistema emite alertas automáticos para as autoridades ambientais e bombeiros, permitindo uma resposta rápida antes que o objeto caia e provoque queimadas.
Reconhecimento e prêmios
A inovação já conquistou reconhecimento nacional e internacional. O projeto venceu competições como a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) e a Intel International Science and Engineering Fair (ISEF), nos Estados Unidos. Os estudantes destacam que a ideia surgiu ao perceberem o aumento de incêndios durante as festas juninas, muitos deles causados por balões.
Testes no Parque Estadual do Jaraguá
A próxima etapa é testar o sistema no Parque Estadual do Jaraguá, uma área de preservação ambiental em São Paulo frequentemente afetada por queimadas. O local foi escolhido por sua vulnerabilidade e pela presença de vegetação nativa da Mata Atlântica. Se os testes forem bem-sucedidos, a tecnologia poderá ser expandida para outras regiões do país.
Impacto ambiental e legal
Os balões de São João são ilegais desde 1998, conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98), que prevê multas e detenção para quem os fabrica, vende ou solta. Apesar da proibição, a tradição ainda persiste em algumas regiões, representando risco para o meio ambiente e a segurança pública. O Safe Skies surge como uma ferramenta tecnológica para reforçar a fiscalização e prevenir desastres.
Os criadores do projeto esperam que a IA possa ser integrada a sistemas de monitoramento já existentes, como os usados pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil, ampliando a capacidade de detecção e resposta a ameaças ambientais.



