Acre celebra Dia dos Geoglifos com evento no Horto Florestal
Acre celebra Dia dos Geoglifos no Horto Florestal

O Acre, estado brasileiro com o maior número de geoglifos registrados, realizou nesta sexta-feira (26) o evento "Rio Branco: Terra dos Geoglifos – Onde a Floresta Guarda Memória" no Horto Florestal, em Rio Branco. A programação, que começou às 8h, incluiu caminhadas guiadas, exposições de peças arqueológicas e atividades educativas para celebrar o Dia dos Geoglifos e discutir a importância dessas estruturas milenares.

Geoglifos: patrimônio de até três mil anos

Os geoglifos são estruturas geométricas escavadas na terra, em formatos de quadrados, retângulos ou círculos, que podem datar de até três mil anos. O Acre é pioneiro e referência no tema: em março de 2024, o primeiro geoglifo tombado no estado teve o reconhecimento homologado pelo Ministério da Cultura. Ao todo, o Acre registra mais de mil geoglifos, sendo o estado com a maior concentração desse patrimônio arqueológico.

O evento foi organizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Tecnologia e Inovação (SDTI). O secretário municipal coronel Ezequiel Bino destacou que os geoglifos representam mais do que um patrimônio arqueológico: "Tem que se orgulhar muito. Os geoglifos do Acre representam respeito com os povos originários e isso tem uma relação direta conosco. Nós viemos daí, tem uma relação muito direta com o patrimônio histórico, mas também com o amor pela nossa terra".

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Potencial turístico e reconhecimento internacional

Segundo Bino, o potencial turístico dos geoglifos ainda é pouco explorado pelos acreanos. As estruturas estão em processo de reconhecimento internacional e concorrem na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como patrimônio da humanidade. "É ter um reconhecimento mundial, e precisamos despertar no rio-branquense esse sentimento de pertencimento. Vamos valorizar, vamos vender isso para o mundo, porque isso traz pessoas para conhecer, e com isso, traz desenvolvimento econômico, turismo, uma cadeia econômica muito importante", afirmou.

A superintendente do Iphan no Acre, Antônia Damasceno, ressaltou que um dos principais objetivos do evento é aproximar a população desse patrimônio. "A importância desse momento é fazer com que os acreanos, que a população no geral, conheça esse tipo de sítio arqueológico, para poder se apropriar disso tudo e perceber o quão rico patrimônio arqueológico temos no Acre", detalhou. Ela lembrou que muitos sítios estão próximos à capital, como perto do Aeroporto Internacional de Rio Branco e no Conjunto Habitacional Cidade do Povo. "São locais dos nossos antepassados, de dois mil anos, três mil anos atrás, e que a população desconhece e que representa a nossa história, o nosso legado", defendeu.

Pesquisadores defendem divulgação e preservação

O pesquisador da Universidade de Helsinque, na Finlândia, Martti Parssinen, participou do encontro e defendeu que os geoglifos acreanos ganhem mais visibilidade internacional para impulsionar a economia regional. "Isso é exatamente uma das mais importantes coisas que tem que ser feito. [...] Vai gerar muitas atividades econômicas para hotéis, para restaurantes, para transporte", disse. No entanto, ele alertou para a necessidade de preservar os sítios arqueológicos diante do aumento do turismo: "Quando vem muito turismo, também tem que cuidar dessa riqueza para que não tenha demais e que não seja como um fenômeno que cada um vai onde quiser. Tem que organizar isso bem com um planejamento importante".

Para a professora e turismóloga Angria Goulart Silva, o encontro proporcionou aprendizado prático para os estudantes e fortalece a identidade regional. "A visita técnica super especial aproxima os alunos tanto do turismo quanto do meio ambiente e da educação. [...] Esse dia colabora para que nós, como acreanos, nos sintamos pertencentes nessa região. Perceba que aqui no Acre a gente não teve só um território que não tinha nada. Tinha civilizações muito inteligentes", afirmou.

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Novas descobertas com tecnologia de drones

O pesquisador da Embrapa Solos, no Rio de Janeiro, Venceslau Teixeira, explicou que os geoglifos estão entre as descobertas arqueológicas mais importantes da América do Sul e muitas perguntas ainda seguem sem resposta. "São formas geométricas de grande dimensão, que certamente demandaram muito esforço de muita gente para serem construídas e ainda se sabe pouco sobre elas. Quem eram essas pessoas que construíram os geoglifos? Qual a razão de construir os geoglifos e por que tantos? E o que faziam nos geoglifos?", questionou.

Teixeira revelou que novas estruturas devem ser identificadas graças ao uso de tecnologia, como drones equipados com sensores que conseguem enxergar o solo sob a vegetação. "São drones que carregam esses equipamentos e conseguem olhar por dentro das árvores e conseguem ver o chão. Então, novos geoglifos serão anunciados em breve. Só vemos os que estão em áreas desmatadas. Com essa tecnologia muitas informações vão vir à tona", finalizou.