1ª passagem aérea para fauna na região de Ribeirão Preto, SP
1ª passagem aérea para fauna na região de Ribeirão Preto

A Rodovia Antônio Machado Santana (SP-255), em Guatapará (SP), acaba de ganhar a primeira passagem aérea de fauna da região de Ribeirão Preto (SP). A estrutura tem como objetivo permitir a travessia de animais que vivem nas copas das árvores, como macacos, saguis e bugios, reduzindo o risco de atropelamentos. Segundo a Arteris ViaPaulista, a passarela foi instalada no quilômetro 470, a seis metros de altura sobre a pista, na região próxima ao Rio Mogi-Guaçu.

Estrutura e funcionamento da passagem aérea

Além da estrutura suspensa, o projeto utiliza cercamentos direcionadores e cordas para conduzir a fauna de forma segura, complementando outras medidas, como as passagens subterrâneas já existentes na Rodovia Armando de Sales Oliveira. A escolha do local baseou-se em estudos técnicos que mapearam a movimentação da fauna na região, que compreende fragmentos importantes de Cerrado, Mata Atlântica e a Mata Ciliar do Rio Mogi-Guaçu.

Érica Gouveia dos Santos, coordenadora ambiental da Arteris ViaPaulista, explica que a funcionalidade da obra integra diferentes métodos para garantir o sucesso da travessia. "Essa estrutura funciona para conduzir os animais para fazer essa travessia segura. Então, nós temos, além do cercamento direcionador, cordas que interligam o solo e a copa das árvores, que fazem a condução desses animais de forma segura", detalha.

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Prevenção de atropelamentos e dados do Cetras

O Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) de Ribeirão Preto informou que os atropelamentos representam 10% de toda a demanda de atendimento da unidade. O órgão reforça a importância da estrutura para evitar que mais animais cheguem ao centro feridos ou venham a óbito.

Imagens capturadas pelas câmeras de monitoramento da concessionária já flagraram diversos animais circulando pelo local, desde espécies de maior porte, como o lobo-guará e a jaguatirica, até exemplares menores, como tatus e lagartos.

Orientações para motoristas

A gerente de operações da rodovia, Ana Caetano, reforça que a tecnologia ambiental é uma aliada, mas a prudência do motorista continua sendo o fator mais importante. "Sempre transite na velocidade da rodovia, até para ter tempo de reação. E o principal ponto é poder entrar em contato com a concessionária, pois isso ajuda bastante. Ao identificar a presença do animal na pista, a concessionária vai atuar e mandar algum recurso para o local com o objetivo de realmente impedir um acidente", orienta.

Impacto nos centros de reabilitação

O drama das rodovias é sentido diariamente pelos profissionais de resgate. Um filhote de tamanduá-bandeira de dois meses está atualmente em recuperação no Cetras após ser atropelado na região de Franca. O animal foi resgatado com ferimentos graves e desidratado, após a mãe não resistir ao impacto da colisão.

O biólogo Otávio Almeida, que acompanha o caso, explica que a maioria dos animais chega à unidade em estado crítico. "As condições são muito graves, na verdade. A maioria dos casos, o animal chega quase em óbito na unidade. Dentre os motivos, envolve o tempo de atendimento; às vezes o animal foi resgatado a 100 km de distância até chegar na unidade, é um tempo crítico que atrapalha um pouco no processo de reabilitação. Quando chega em tempo ágil, geralmente a gente percebe hemorragia e ferimentos muito profundos", explica.

Sobre o trabalho de recuperação do tamanduá, Almeida detalha a rotina intensa necessária para salvar uma vida resgatada. "Agora, no momento, ele é monitorado para evitar perda de calor, evitar a desidratação e também a hipoglicemia, que é a queda da glicose no sangue. Tudo isso é 24 horas para garantir que esse indivíduo tenha viabilidade e, no momento adequado, possa ser reintroduzido", completa.

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