O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito civil para investigar o técnico de vôlei Fábio Eduardo Cassiano, suspeito de se apropriar de verba pública destinada a atletas de um projeto esportivo em Limeira (SP). A denúncia aponta que o treinador exigia repasses irregulares de parte do benefício recebido pelos atletas.
Exigência de repasse de R$ 350 dos R$ 500 pagos
Segundo o inquérito, Fábio exigia R$ 350 dos R$ 500 pagos a cada atleta a título de ajuda de custo. Os valores eram depositados via Pix na conta pessoal do técnico. O recurso era previsto em edital de fomento com o Instituto Esportivo Crescer Juntos, organização selecionada por chamamento público.
O MP recomendou ao município a suspensão do contrato com o instituto para qualquer atividade esportiva, incluindo o bloqueio de todos os repasses financeiros. A prefeitura acatou a recomendação. O técnico foi afastado cautelarmente das funções de coordenação e treinamento no dia 17 de junho de 2026, assim que a denúncia chegou ao MP.
Presidente do instituto também é investigada
A presidente do Instituto Crescer Juntos, Fúlvia Lúcia Margotti, é investigada por suposta conivência com a conduta do técnico. À reportagem, ambos negaram os desvios. Fúlvia afirmou possuir todas as notas fiscais e comprovantes do projeto, já apresentados em prestações de contas.
A promotora Débora Bertolini adiantou que existem provas concretas de que a presidente sabia dos atos do treinador. A recomendação de suspensão baseia-se em provas como comprovantes de Pix ao técnico e indícios de conivência. A prefeitura teve 48 horas para comprovar o cumprimento da medida.
500 alunos afetados pela suspensão
A promotora confirmou que o inquérito foi oficializado e encaminhado à Justiça na segunda-feira (13), com ofícios expedidos na terça-feira (14). Cerca de 500 alunos atendidos pela iniciativa foram afetados pela suspensão. O MP também encaminhou a denúncia à Polícia Civil, requisitando inquérito policial.
Durante as investigações, constatou-se a existência de um alojamento particular mantido pelo técnico, onde ele selecionava os alunos para o projeto. Esse alojamento também é alvo de apuração da Promotoria da Infância de Limeira.
Manifestações do instituto e da prefeitura
O Instituto Crescer Juntos informou, em nota, que teve acesso parcial ao inquérito e negou desvio de verba pública. “Não houve desvio de verba pública e tampouco sua utilização indevida”, afirmou. A instituição disse estar em posse de todas as notas fiscais e comprovantes, já apresentados em prestações de contas, e que seus advogados solicitaram acesso integral ao inquérito.
A Prefeitura de Limeira informou que instaurou sindicância administrativa e determinou a suspensão do contrato com o instituto e o bloqueio de repasses. “Embora ainda não tenha sido notificada oficialmente, a administração municipal já determinou a suspensão do contrato”, disse, acrescentando que qualquer desvio de recursos será tratado com rigor.



