A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro solicitou à Justiça o bloqueio de bens de três gestoras ligadas à Master Corretora, braço de investimentos do conglomerado de Daniel Vorcaro, e de seus diretores. A ação ocorre após o RioPrevidência, fundo previdenciário fluminense, sofrer perdas milionárias com a liquidação do Banco Master em novembro de 2024. No entanto, o rombo estrutural da Previdência do Rio é 500 vezes maior que esses prejuízos, superando R$ 20 bilhões anuais.
Investimentos temerários no Banco Master
Dois fundos ligados ao Master receberam R$ 641,4 milhões em aportes do RioPrevidência. A Polícia Federal investiga o caso na Operação Barco de Papel, apurando se a cúpula do fundo previdenciário fez investimentos temerários que totalizam R$ 970 milhões. O RioPrevidência nega as acusações.
No fundo Revolution, o RioPrevidência aplicou R$ 481,4 milhões. Segundo a Procuradoria, embora o patrimônio atual do fundo seja estimado em R$ 567,8 milhões, a carteira permanece sob sigilo e é composta majoritariamente por ativos de crédito privado com remuneração de até 180% do CDI, taxa considerada “economicamente anômala”.
Queda de 90% no Texas I FIA
No caso do Texas I FIA, o RioPrevidência aportou R$ 150 milhões, valor que caiu para R$ 14,8 milhões – uma desvalorização superior a 90% em menos de um ano. A Procuradoria afirma que o fundo concentrou 96% da carteira em ações da Ambipar (AMBP3) e manteve essa exposição mesmo após controvérsias regulatórias na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
“O Rioprevidência foi vítima de uma armadilha arquitetada pela administração e pela gestão do Texas I FIA, que vendeu ao ente público quotas de um fundo lastreado em uma ação desprovida de fundamento”, diz a petição.
Medidas cautelares e bloqueio de bens
A Procuradoria ingressou com pedido de tutela cautelar para impedir que as remanescências do Master impeçam o resgate dos recursos solicitado pelo RioPrevidência, previsto para 17 de agosto. Também pede o arresto de bens da gestora Acura Capital e de seus diretores Fernando Luiz de Senna Figueiredo e Ana Cristina Guerreiro Bezerra.
No caso do Texas I FIA, a ação pede a indisponibilidade de bens da gestora Axor, da Trustee DTVM e dos diretores Alexandre Marchesani Canata e Felipe Mota Separovic Rodrigues. A Trustee DTVM é citada na Operação Carbono Oculto, que investiga lavagem de dinheiro do PCC no setor de combustíveis.
A terceira medida é uma ação de exibição de documentos para obter informações sobre a estrutura dos investimentos e possíveis irregularidades.



