A Justiça do Rio de Janeiro determinou a realização de perícia no celular apreendido na cela do ex-vereador Jairinho, preso preventivamente desde abril de 2022 sob acusação de homicídio triplamente qualificado e outros crimes relacionados à morte do menino Henry Borel, de 4 anos.
Decisão judicial e fundamentos
A decisão é do juiz Daniel Konder de Almeida, da 2ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, que atendeu a pedido do Ministério Público. O magistrado argumentou que o aparelho pode conter provas relevantes para a investigação, especialmente sobre comunicações do acusado durante o período em que esteve preso.
O celular foi encontrado durante uma revista na cela de Jairinho, no presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio, em uma ação realizada no último mês de junho. A defesa do ex-vereador alegou que o aparelho era de uso exclusivo para contato com advogados, mas a Justiça considerou que a perícia é necessária para verificar se houve violação das regras do sistema prisional.
O caso Henry Borel
Jairinho, cujo nome verdadeiro é Jairo de Souza Santos Júnior, é réu pela morte de Henry, ocorrida em março de 2021. O menino morreu em decorrência de agressões no apartamento onde morava com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, Jairinho. Monique também é réu e responde em liberdade.
As investigações apontaram que Henry foi vítima de violência doméstica e que as lesões foram compatíveis com ação de terceiros. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) indicou que a criança tinha múltiplas lesões, algumas antigas e outras recentes, e que a causa da morte foi traumatismo cranioencefálico.
Impacto da perícia
A perícia no celular pode trazer novos elementos para o processo, como mensagens trocadas com outros detentos ou pessoas de fora. A Promotoria espera que o exame revele se Jairinho continuou a exercer influência ou a praticar crimes mesmo atrás das grades. Segundo o Ministério Público, "a análise do aparelho é fundamental para garantir a integridade das investigações e evitar a destruição de provas".
A defesa de Jairinho, por sua vez, criticou a decisão. O advogado Thiago Minagé afirmou que "o celular era usado exclusivamente para contato profissional e que a perícia é uma medida desnecessária e invasiva". Ele adiantou que recorrerá da decisão.
Próximos passos
A Perícia Criminal do Rio de Janeiro ficará responsável pela análise do aparelho. O prazo para a conclusão do laudo não foi estipulado, mas a Justiça determinou que seja feito com a máxima urgência. O resultado poderá ser usado como prova no julgamento de Jairinho, que ainda não tem data marcada.
O caso Henry Borel gerou comoção nacional e levou a protestos por justiça. A morte da criança expôs falhas no sistema de proteção à infância e motivou a criação de leis mais rigorosas contra a violência doméstica. A perícia do celular é mais um capítulo nesse processo que busca esclarecer todos os detalhes do crime.



