A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar denúncias de assédio sexual contra um padre de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. O religioso é suspeito de ter cometido abusos contra crianças que auxiliavam nas atividades da igreja.
Investigação em andamento
De acordo com informações apuradas pela EPTV, afiliada da TV Globo, o alvo das denúncias é o padre Mário Reis da Silveira, pároco do distrito de Bonfim Paulista. Ele foi afastado das funções desde março por determinação da Arquidiocese Metropolitana.
“Essas investigações já estão avançadas, nós já ouvimos pessoas que teriam sido vítimas de um investigado, e nós também tomamos conhecimento que o investigado foi afastado de suas funções”, afirmou a delegada Michella Ragazzo, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Ribeirão Preto.
A reportagem não conseguiu contato com o padre, pois seus celulares estão apreendidos pela polícia. Em suas redes sociais, ele declarou que aguarda o resultado das investigações.
“Estarei afastado por período indeterminado de minhas funções de pároco até que se investigue veracidade ou falsidade da acusação que me chega. Durante todo esse tempo, seguirei rezando e contribuindo para a completa elucidação dos fatos alegados.”
Denúncias de vítimas
O advogado Felipe Moreira Silveira representa famílias de cinco pessoas que relataram episódios de assédio envolvendo o sacerdote na Paróquia Senhor Bom Jesus de Bonfim. Os abusos teriam ocorrido quando as vítimas ainda eram crianças e atuavam como coroinhas na igreja.
“Tudo começou em dezembro, mais ou menos, no final do ano. Uma cliente me procurou e me passou todas as informações, todos os relatos. Só que a gente não poderia ir até a delegacia, fazer a denúncia, porque eu precisava de elementos comprobatórios para embasar toda a denúncia. Foi então que a gente se reuniu por diversas vezes, conversamos e descobrimos outros casos que foram relatados”, disse o advogado.
Os relatos mencionam práticas como toques em partes íntimas e tentativas de beijo. “Hoje a gente sabe que o assédio sexual não é apenas o toque, ele pode vir de diversas formas, importunação sexual”, acrescentou.
Segundo o advogado, os abusos ocorriam em um contexto de vulnerabilidade psicológica das vítimas. “Elas sempre estavam ligadas com algum problema no seio da família. Então, poderia ser um problema de saúde de um pai, problema conjugal, enfim. E aí ele sempre dava essa abordagem de aproximação, de cuidado, carinho, afeto. A pessoa estava vulnerável ali, aceitava de bom coração e nisso ele agia da forma que poderia, nos menores ou até mesmo relativamente incapazes.”
O advogado Silveira também relatou que essas denúncias dizem respeito a práticas ocorridas há oito anos e que, apesar de terem sido comunicadas à Arquidiocese de Ribeirão Preto, não resultaram em providências na época. “Acredito eu que há oito anos a providência deveria ter sido tomada e, infelizmente, apenas hoje, após oito anos, parece que o desenrolar da história está vindo à tona.”
Andamento das investigações
No inquérito instaurado na DDM, a delegada já colheu depoimentos de vítimas e familiares, além do arcebispo de Ribeirão Preto, dom Moacir Silva, ouvido na terça-feira (2) para explicar os procedimentos adotados até o momento.
De acordo com Michella, o padre investigado, que teve o celular apreendido em Guaxupé (MG), foi afastado das funções paroquianas e administrativas e substituído por outro sacerdote.
“A investigação está correndo de uma forma muito tranquila, sem nenhuma interferência e nenhum embaraço, tanto da arquidiocese quanto por parte do investigado ou das vítimas.”
A delegada informou que ainda depende do resultado da perícia nos celulares apreendidos para analisar a troca de mensagens entre as vítimas e o padre. “Diante do laudo, nós vamos apurar se houve, através de prova documental, delitos de ordem sexual ou não.”
Com isso, Michella espera concluir o inquérito em breve, após ouvir o investigado, de preferência pessoalmente. “Creio que, em delitos dessa natureza, é mais conveniente que haja realmente o depoimento, aliás, o interrogatório presencial, mas ainda nós não avaliamos, porque precisamos estabelecer qual a melhor conduta.”



