Mulher denuncia clínica por raspar cabelo em exame toxicológico para CNH
Mulher denuncia clínica por raspar cabelo em exame toxicológico

Uma influenciadora de João Pessoa denunciou uma clínica por ter seu cabelo raspado em excesso durante a coleta de amostra para exame toxicológico exigido para renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre os limites éticos e técnicos do procedimento.

O que aconteceu

A jovem, que não teve o nome divulgado, procurou a clínica para realizar o exame toxicológico de longa duração, que utiliza fios de cabelo para detectar o uso de substâncias psicoativas nos últimos 90 dias. Segundo seu relato, o profissional responsável pela coleta raspou uma área muito maior do que o necessário, deixando uma falha visível no couro cabeludo.

"Eu esperava que fosse retirada uma pequena mecha, mas ele raspou uma região enorme, do tamanho de uma moeda grande. Fiquei chocada e me senti humilhada", afirmou a influenciadora em postagem que viralizou. Ela registrou boletim de ocorrência e busca reparação judicial por danos morais.

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Repercussão e debate

O caso reacendeu a discussão sobre os critérios adotados pelos laboratórios na coleta de amostras para exames toxicológicos. Especialistas apontam que a quantidade de fios necessária para o teste é pequena – cerca de 100 fios, o que equivale a uma mecha fina – e que a raspagem excessiva é desnecessária e antiética.

"O procedimento padrão é coletar uma mecha de aproximadamente 3 a 5 milímetros de diâmetro, o que não causa dano estético significativo. Raspagens maiores indicam falha na capacitação do profissional ou desrespeito ao paciente", explicou o dermatologista Antônio Carlos de Oliveira, em entrevista ao portal local.

Posição da clínica

A clínica envolvida, que não foi identificada publicamente, emitiu nota informando que "segue rigorosamente os protocolos do Conselho Federal de Medicina e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)" e que "abriu uma sindicância interna para apurar o ocorrido". A empresa afirmou ainda que está à disposição da cliente para esclarecimentos.

No entanto, a influenciadora alega que não recebeu informações prévias sobre a extensão da raspagem e que o procedimento foi realizado sem seu consentimento esclarecido. "Ninguém me explicou que seria daquele jeito. Se soubesse, teria escolhido outro local ou até outro método", desabafou.

Impacto e medidas legais

O caso já ultrapassou 500 mil visualizações nas redes sociais e gerou uma petição online pedindo maior regulamentação dos exames toxicológicos para CNH. A influenciadora contratou um advogado e ingressou com ação indenizatória por danos morais e estéticos.

O debate também chegou ao Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), que informou estar acompanhando o caso e que pode abrir processo ético contra o médico responsável, se comprovada irregularidade.

Contexto legal

O exame toxicológico de longa duração é obrigatório para motoristas das categorias C, D e E, além de ser exigido na renovação da CNH para condutores com mais de 70 anos. A coleta de cabelo é o método padrão, porém o Conselho Federal de Medicina prevê que o procedimento deve ser realizado "com o mínimo de desconforto e dano estético ao paciente".

Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em 2025 foram realizados mais de 2,5 milhões de exames toxicológicos no Brasil, dos quais cerca de 0,3% resultaram em reclamações formais por irregularidades na coleta.

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