A 6ª Vara Cível de Palmas decidiu não analisar o pedido de esclarecimento protocolado pelos advogados do motorista Antônio Pereira do Nascimento. A decisão, publicada no dia 8 de julho, determina o "não conhecimento de embargos de declaração", ou seja, o recurso sequer foi analisado por não preencher requisitos legais.
O caso do milionário por um dia
Antônio ficou conhecido em 2023 após receber uma transferência de R$ 131.870.227,00 por engano em sua conta. Ele manteve a quantia por cerca de sete horas e devolveu todo o dinheiro ao banco. Em 2024, ingressou com uma ação judicial pedindo direito a recompensa e indenização por danos morais contra a instituição financeira.
Em março de 2026, o juiz dispensou a oitiva de testemunhas, considerando as provas documentais suficientes. A defesa de Antônio então protocolou embargos de declaração, instrumento processual usado para esclarecer omissões, contradições ou obscuridades na decisão. No entanto, o magistrado rejeitou o recurso liminarmente.
Pedidos do motorista
Antônio requer 10% do valor devolvido, equivalente a R$ 13 milhões, como recompensa. Além disso, alega ter sofrido pressão psicológica do gerente do banco e que sua conta foi classificada como VIP, gerando cobranças indevidas. Por isso, também pede indenização por danos morais. O processo segue sem previsão de julgamento.
Em entrevista, Antônio disse que a honestidade ao devolver o dinheiro não mudou sua realidade financeira: "Estou do mesmo jeito, trabalhando para comer. Eu devolvi o dinheiro e não vi dinheiro nenhum lá", desabafou. Ele também revelou planos para o caso de um desfecho favorável: "Ia reformar minha casa, comprar uma van para mim, que eu trabalho como motorista. Eu estava sem van. Isso podia ter sido comprado, mas eu não comprei."
A defesa do motorista foi procurada pelo g1, mas não se manifestou até a última atualização da reportagem.



