O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, morreu nesta segunda-feira (13) na Santa Casa, após passar mal no Presídio Militar. Ele tinha 60 anos e era acusado de matar o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, durante uma disputa pela posse de um imóvel.
Crime e prisão
Bernal era acusado de homicídio qualificado contra Mazzini, ocorrido em um imóvel na Rua Antônio Maria Coelho, que havia pertencido a Bernal e foi arrematado por Mazzini em leilão judicial. No dia do crime, o servidor entrou no imóvel acompanhado de um chaveiro. Segundo a investigação, ao ser avisado pelo sistema de segurança, Bernal foi até o local e atirou contra Mazzini. Em entrevista ao g1, o ex-prefeito afirmou que agiu em legítima defesa. Após os disparos, acionou o Samu e se apresentou na Depac Centro. Desde então, permanecia preso no Presídio Militar de Campo Grande.
Morte e problemas de saúde
Bernal morreu na Santa Casa após passar mal no presídio. A causa da morte não foi divulgada. A nova internação ocorreu um dia após a Justiça negar um pedido de prisão domiciliar. O advogado de defesa, Ricardo Machado, informou que Bernal desmaiou no presídio e foi encaminhado à UTI. "Ele começou com cateterismo, mas depois foi submetido a uma angioplastia coronariana. E dessa angioplastia, ele foi submetido depois a outra angioplastia, quando foi colocado os stents nele", disse. O advogado afirmou que apresentou três pedidos de prisão domiciliar devido aos problemas cardíacos de alto risco do ex-prefeito. Segundo a defesa, um ofício do Presídio Militar informava que a unidade não tinha condições adequadas para mantê-lo. "Houve uma alerta da defesa ao Poder Judiciário desde o início do processo de que ele possuía doença grave... Ficou com certeza um sentimento de frustração", afirmou.
Trajetória política
Natural de Corumbá (MS), Alcides Bernal era advogado, radialista e político. Em 2004, foi eleito vereador em Campo Grande e presidiu a Comissão Permanente de Transporte e Trânsito. Em 2008, foi reeleito e comandou a Comissão Permanente de Defesa do Consumidor. Em 2010, foi eleito deputado estadual. Dois anos depois, foi eleito o 62º prefeito de Campo Grande, permanecendo no cargo até 2014, quando teve o mandato cassado por 23 votos a 6, por irregularidades em contratos emergenciais. A denúncia foi apresentada por dois empresários em 2013. Bernal afirmou que não havia provas de irregularidades. Em 2015, voltou ao cargo por decisão do TJMS, por dois votos a um, e permaneceu até o fim do mandato, em 2016. Após a decisão, disse: "a Justiça pode tardar, mas não falha". Em 2016, concorreu à reeleição, mas não chegou ao segundo turno, ficando fora por 2.630 votos.



