Mãe de autista demitida após questionar plano de saúde luta na Justiça
Mãe de autista demitida após questionar plano luta na Justiça

Uma funcionária do Roldão Atacadista em Praia Grande, litoral de São Paulo, foi demitida em outubro de 2025 após questionar uma dívida de coparticipação do plano de saúde superior a R$ 38 mil, referente às terapias do filho autista de 10 anos. A mulher, de 37 anos e mãe solo, relatou ao g1 que interrompeu o tratamento da criança por receio de gerar novas dívidas enquanto aguarda o desfecho do processo judicial.

Demissão após questionamento ao RH

Segundo a funcionária, dias depois de procurar o setor de Recursos Humanos para questionar as cobranças, ela foi dispensada sem justa causa e sem receber a rescisão contratual, pois a dívida do plano de saúde foi descontada. “Sair da empresa sem receber um único centavo foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. O meu desespero não era por mim, mas por não saber como eu iria sustentar minha casa e continuar garantindo o tratamento do meu filho”, afirmou.

Em primeira instância, a Justiça do Trabalho considerou a dispensa discriminatória e condenou a rede atacadista a reintegrar a funcionária e pagar indenização por danos morais. No entanto, a empresa recorreu, e a 15ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) reformou a sentença, cancelando a reintegração e as condenações financeiras.

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Decisão da segunda instância

A relatora do caso, desembargadora Maria Inês Ré Soriano, concluiu que não havia provas de que a reclamação sobre o plano de saúde motivou a demissão. Segundo a magistrada, “o uso excessivo em razão da condição de saúde do seu filho, por si só, não suscita eventual conduta restritiva do empregador”. Apesar disso, a funcionária segue trabalhando na empresa porque o processo ainda permite recursos.

“Não vou desistir. Vou continuar defendendo aquilo que acredito ser justo, sempre pelos meios legais e com respeito às decisões da Justiça, utilizando todos os recursos previstos em lei. Tenho confiança de que, ao final do processo, toda a situação será analisada de forma completa”, declarou a mulher.

Impacto no tratamento do filho

A mãe optou por interromper as terapias do menino enquanto não houver uma decisão definitiva. “Meu filho é o mais afetado na história porque ele tem dificuldade na escola, então a terapia ajuda bastante”, complementou. Ela ganhava menos de R$ 2 mil líquido por mês e afirmou que jamais teria condições de arcar com o valor da coparticipação se soubesse que teria que pagá-lo de uma só vez.

O advogado da mulher, Mateus Lins, informou que a defesa apresentará embargos de declaração para tentar complementar o julgamento. Caso a decisão da segunda instância seja mantida, ele afirmou que recorrerá ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). A funcionária, por sua vez, reforçou que nunca quis prejudicar a empresa, apenas buscou o reconhecimento de seus direitos após quatro anos de serviço.

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