A médica Olívia Paroschi Jafar deixou a prisão neste sábado (18) após pagamento de fiança, segundo confirmou sua defesa ao g1. Ela estava presa há mais de dez dias, suspeita de integrar uma organização criminosa que fraudou R$27 milhões na compra de livros paradidáticos em Mato Grosso do Sul. A defesa não revelou o valor da fiança, mas a advogada Estella Bauermeister informou que a Justiça determinou o uso de tornozeleira eletrônica. Olívia deverá se apresentar à Justiça sempre que solicitado e está proibida de se comunicar com familiares presos.
Operação Gutenberg atinge família e ex-prefeito
A Operação Gutenberg, deflagrada em 7 de julho de 2026 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), também prendeu a mãe de Olívia, Rossana Paroschi Jafar, e seus dois irmãos, Felipe e Giovanni Paroschi Jafar, que continuam presos. Além da família, são investigados: Rhayane Souza Fanaia, ex-nora de Rossana; Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar; Ed Carlo Britto Burgatt, coordenador de regulação de MS; Francisco Anizio dos Santos; Matheus Oliveira Peixoto; Paulo Rogério de Melo, empresário; Douglas Henrique de Melo, empresário e filho de Paulo; Gabriel Taquino de Paula; Jessyca Duarte Burgatt, filha de Ed Carlo, que já deixou a prisão; Joatan Gomes Peixoto, também solto com tornozeleira; Geancarlo Leal de Freitas, servidor público solto; e Heyder Bartz, o único foragido, apontado pelo Gaeco como um dos chefes da organização.
Saúde de MS usada como 'moeda de troca'
A investigação aponta que o grupo usava a regulação de vagas do Sistema Único de Saúde (SUS) como moeda de troca para forçar prefeituras a comprar livros da Editora Avante. O esquema, classificado pelo Ministério Público como "repugnante", condicionava o acesso da população a exames, cirurgias e leitos hospitalares à assinatura de contratos com a editora, movimentando cerca de R$27 milhões entre 2022 e 2024. O grupo oferecia um "manual" com o passo a passo para burlar licitações, desde a elaboração de estudos técnicos até a emissão de pareceres jurídicos e notas fiscais, permitindo contratações por inexigibilidade de licitação.
Sucessão familiar do esquema da Lama Asfáltica
O Gaeco aponta que o grupo é uma sucessão familiar do esquema investigado na Operação Lama Asfáltica, mantendo modelos similares de atuação sob o comando de Rossana Paroschi Jafar. Ed Carlo Britto Burgatt, então coordenador de regulação da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS), usava seu cargo para privilegiar ou punir municípios conforme o interesse da editora. A operação continua em andamento, com buscas por Heyder Bartz e análise de documentos apreendidos.



