A Justiça de Minas Gerais decretou a prisão preventiva de Paola Stefany Neto Cirino, diarista acusada de matar a facadas um casal de idosos em Belo Horizonte. A decisão, assinada pela juíza Juliana Beretta Pinto, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, foi proferida nesta quinta-feira (3) e desconsiderou a alegação da defesa de que a acusada teria agido sob efeito de surto psicótico.
Falta de provas de doença mental
De acordo com a magistrada, não há nos autos elementos concretos que comprovem a existência de doença psiquiátrica que comprometesse a capacidade de entendimento ou de autocontrole de Paola no momento dos crimes. A juíza destacou que a simples alegação de ter ouvido vozes, feita pela própria acusada após a prisão, não é suficiente para afastar a imputabilidade penal. “Não há nos autos qualquer indício de que a autora, à época dos fatos, era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento”, escreveu na decisão.
Detalhes do crime e prisão
Paola Cirino foi presa em Itabira, na região Central de Minas Gerais, na última quinta-feira, após fugir de Belo Horizonte. Ela é acusada de matar o casal de idosos, identificados como Maria da Conceição, de 78 anos, e João Batista, de 82 anos, em sua residência no bairro Sagrada Família, na capital mineira. As vítimas foram encontradas com múltiplas facadas. A perícia inicial apontou que os corpos apresentavam sinais de violência extrema.
A motivação do crime, segundo as investigações da Polícia Civil, é latrocínio – roubo seguido de morte. Paola trabalhava como diarista na casa das vítimas há cerca de seis meses. Após o crime, a suspeita teria subtraído pertences do casal, incluindo dinheiro e joias, antes de fugir. A polícia recuperou parte dos objetos.
Posição da defesa e próximos passos
A defesa de Paola, representada pelo advogado Gustavo Badaró, informou que aguarda a juntada de documentos médicos para solicitar à Justiça a realização de exame de insanidade mental. “A defesa entende que a situação psiquiátrica da acusada precisa ser avaliada por peritos oficiais. O laudo poderá demonstrar que ela não tinha condições de discernir a ilicitude de seus atos”, afirmou Badaró. A juíza, no entanto, já determinou que a prisão preventiva é necessária para garantia da ordem pública, por conveniência da instrução criminal e para assegurar aplicação da lei penal, diante do risco de fuga evidenciado pela fuga para outra cidade.
Repercussão e andamento processual
O caso gerou comoção em Belo Horizonte, especialmente entre os vizinhos das vítimas, que descreveram o casal como pessoas tranquilas e de boa convivência. A Polícia Civil continua as investigações para esclarecer todos os detalhes do crime. Paola Cirino permanece presa à disposição da Justiça, e o inquérito policial deve ser concluído nos próximos 30 dias. O Ministério Público de Minas Gerais já manifestou concordância com a decretação da prisão preventiva, reforçando os indícios de autoria e materialidade do latrocínio.



