Funcionária de farmácia indiciada por morte após injeção no AC
Funcionária de farmácia indiciada por morte após injeção

A funcionária de uma farmácia em Tarauacá, no interior do Acre, foi indiciada por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) após aplicar uma injeção intramuscular em Maiko Oliveira França, de 31 anos. O procedimento ocorreu em 18 de março e, após piora no quadro de saúde, ele morreu no dia 22 do mesmo mês em Cruzeiro do Sul, vítima de infecção generalizada.

Indiciamento e andamento do caso

O delegado responsável, José Ronério, informou ao g1 que o inquérito policial foi encaminhado ao judiciário com indiciamento. O nome do estabelecimento e da mulher não foram divulgados, impedindo a defesa de se manifestar. "O inquérito policial foi encaminhado ao judiciário com indiciamento", complementou.

A viúva de Maiko, Soraya Neri, afirmou ao g1 que espera justiça. "Minha filha chora direto procurando pelo pai dela e eu, sem saber o que fazer, só tento acalmar ela. Mesmo assim ela se desespera dizendo que quer o papai dela. Queremos que ela pague pela negligência e imprudência que fez com meu esposo", desabafou.

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Contexto da morte

Maiko morreu após complicações graves nos dias seguintes à aplicação de uma medicação injetável na região do glúteo. A causa da morte foi sepse associada a fasciíte necrosante, uma infecção grave que se espalha rapidamente pelo corpo e pode levar à falência de órgãos como rins e fígado. O caso é investigado pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) e apurado pelo Conselho Regional de Farmácia (CRF-AC).

Relato da família

Segundo a família, Maiko procurou a farmácia no dia 18 de março após sentir tonturas. No local, pediu orientação sobre qual medicamento tomar e, após recomendação de uma atendente, recebeu uma injeção intramuscular aplicada por uma mulher que seria filha dos proprietários. A medicação foi administrada mesmo após o paciente demonstrar hesitação inicial.

Nos dias seguintes, o quadro piorou. Em 19 de março, ele voltou à farmácia com dores intensas e recebeu apenas um spray analgésico. Já no dia 20, apresentou hematomas e dor intensa, procurando atendimento médico no hospital da cidade. Maiko ficou internado por dois dias em Tarauacá e foi transferido via aérea para Cruzeiro do Sul, chegando ao Hospital Regional do Juruá em estado crítico. Morreu no dia 22 de março.

Impacto na família

Maiko deixou três filhos, de 10 anos, 8 anos e um bebê de um mês, além da companheira com quem mantinha união estável há mais de dez anos. Soraya, desempregada, depende do Bolsa Família para sustentar a casa. "Sou desempregada, minha renda é apenas o bolsa família com valor baixo que não dá de manter meus filhos como o pai deles mantinha. Para tudo era ele que fazia de tudo para ver seus filhos bem. Nada trará meu marido de volta, mas a impunidade não reinará. Seguiremos firmes por justiça, principalmente pelo meu bebê que não vai conhecer o pai", desabafou.

A família realizou um protesto em 30 de março no centro de Tarauacá pedindo justiça e celeridade nas investigações. O MP-AC instaurou procedimentos nas áreas criminal e cível no dia 26 de março para apurar as circunstâncias da morte, e o CRF-AC também acompanha o caso.

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