70% dos brasileiros apoiam punir adolescentes como adultos, diz Datafolha
70% querem punir adolescentes como adultos, aponta Datafolha

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (4) revela que 70% dos brasileiros defendem que adolescentes infratores sejam punidos como adultos, um aumento de 5 pontos percentuais em relação a 2022, quando o índice era de 65%. Apenas 27% dos entrevistados preferem a reeducação como forma de lidar com jovens que cometem crimes.

Aumento do apoio à punição adulta

O levantamento, realizado entre os dias 1 e 3 de julho, ouviu 2.556 pessoas em 181 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O crescimento do apoio à punição adulta ocorre em meio ao debate no Congresso Nacional sobre a redução da maioridade penal, atualmente fixada em 18 anos.

Entre os grupos religiosos, evangélicos são os mais favoráveis à punição: 75% apoiam a medida, seguidos por católicos (72%) e espíritas (65%). Pessoas sem religião apresentam o menor índice, com 58% de apoio.

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Perfil dos entrevistados

A pesquisa também aponta diferenças por faixa etária e escolaridade. Jovens de 16 a 24 anos são os que menos apoiam a punição adulta (62%), enquanto idosos com 60 anos ou mais são os mais favoráveis (76%). Quanto maior a escolaridade, menor o apoio: 66% entre os que têm ensino superior, contra 73% entre os que têm até o ensino fundamental.

Por região, o Norte e o Centro-Oeste registram os maiores índices de apoio (74%), seguidos pelo Sudeste (71%), Sul (69%) e Nordeste (67%).

Proibição das drogas

O Datafolha também questionou os entrevistados sobre a proibição do uso de drogas. 85% dos brasileiros apoiam a manutenção da proibição, enquanto 13% são favoráveis à liberação. O apoio é maior entre evangélicos (91%) e católicos (86%), e menor entre pessoas com ensino superior (76%).

“Os dados mostram uma sociedade que busca respostas mais duras para a criminalidade juvenil, mas também revela divisões importantes por religião, idade e escolaridade”, afirma a socióloga Maria Silva, da Universidade de São Paulo, que não participou da pesquisa.

Contexto legislativo

A pesquisa ocorre em um momento em que tramitam no Congresso projetos que propõem a redução da maioridade penal para 16 anos para crimes hediondos. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), já sinalizou que pode pautar a proposta neste semestre. Atualmente, adolescentes infratores cumprem medidas socioeducativas que podem chegar a três anos de internação.

O Datafolha também ouviu a opinião sobre a eficácia das medidas atuais: 62% dos brasileiros consideram que a legislação para adolescentes infratores é muito branda, 28% acham adequada e 6% a consideram muito severa.

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