Há mais de três décadas, um grupo de amigos mantém a tradição de viajar todos os anos para o Festival de Parintins. Em 2026, porém, uma brincadeira acabou chamando a atenção: como um dos integrantes da turma nunca conseguiu ir à ilha, os amigos decidiram levar um totem em tamanho real dele para participar da festa.
Origem da brincadeira
A ideia foi do empresário Alcidas Sousa, conhecido como Lorinho, proprietário do Bar do Lorinho, em Manaus. Segundo ele, o amigo Marcos sempre fazia parte dos convites para a viagem, mas desde 1991 encontrava algum motivo para desistir. “Ele sempre inventava uma desculpa. Aí, em uma brincadeira no bar, falei que ia mandar fazer um totem dele e que, de um jeito ou de outro, ele iria para Parintins. Ele riu, não acreditou, mas a gente fez sem ele saber”, contou.
Revelação e repercussão
A revelação aconteceu quando a caravana seguia para Parintins. Desde então, o “Marcos de papelão” tem acompanhado o grupo em diversos pontos turísticos da cidade e também nas programações do festival. De acordo com Alcidas, a ideia era fazer com que o amigo participasse, mesmo que simbolicamente, de uma tradição que a turma mantém há 33 anos. “O que a gente queria era que ele estivesse aqui com a gente, aproveitando tudo o que Parintins oferece. Como não veio pessoalmente, veio de totem”, brincou.
As imagens da homenagem passaram a ser compartilhadas nas redes sociais e divertiram tanto os amigos quanto o próprio homenageado. “Ele está muito feliz. Acho que nem acredita na repercussão que a brincadeira tomou. O importante é que deu certo e todo mundo está se divertindo, principalmente ele”, disse.
Totem na fila da Galera
Segundo Alcidas, o totem ainda deve acompanhar o grupo em outros momentos da programação, incluindo a tradicional fila da Galera no Bumbódromo, mantendo viva uma amizade marcada pela paixão pelo Festival de Parintins.
O Festival de Parintins
A disputa entre Caprichoso e Garantido chega à 59ª edição em 2026 e acontece entre sexta-feira (26) e domingo (28), no Bumbódromo de Parintins. Em cada apresentação, os bois têm entre duas horas e duas horas e meia para defender seus projetos artísticos diante dos jurados, que avaliam 21 quesitos divididos entre itens individuais, musicais, cênicos e coletivos. Ao final das três noites, vence o Festival de Parintins o boi que obtiver a maior pontuação na apuração oficial.
A primeira noite este ano foi marcada por apresentações que exaltaram a ancestralidade, as lendas amazônicas e a identidade cultural dos povos da floresta. Caprichoso e Garantido levaram à arena espetáculos grandiosos, com alegorias, rituais e personagens que ajudaram a contar as histórias propostas por cada bumbá. Abrindo a disputa, o Caprichoso apresentou o subtema "Parintins – O Chão de Origem", destacando a memória da ilha, os povos originários e símbolos da cultura amazônica. Já o Garantido encerrou a noite com "Parintins: Portal do Encantamento", apostando em narrativas sobre espiritualidade, diversidade e ancestralidade indígena.



