A Justiça de Rondônia determinou que a estudante de Medicina Vitória Caroline Marangoni Schneider, de 29 anos, investigada por atropelar e matar Odair Brustolin, de 68 anos, fique em cela separada no sistema prisional. A decisão foi tomada durante audiência de custódia na quinta-feira (2), convertendo a prisão em flagrante em preventiva. A medida considera possível condição de saúde mental da investigada e visa garantir sua segurança. O presídio deverá oferecer acompanhamento médico e psicológico.
Defesa pede incidente de insanidade mental
A defesa da estudante solicitou a instauração de incidente de insanidade mental para avaliar se ela tinha condições de entender o caráter criminoso de seus atos no momento do fato. O pedido foi aceito pela Justiça, que determinou perícia. Já o pedido de internação em unidade psiquiátrica foi negado. Em nota, a defesa lamentou o caso e afirmou que o processo tramita com respeito ao devido processo legal e às garantias constitucionais.
Advogado da família se manifesta
O advogado da família de Odair, Wilibrando Bruno de Araújo, afirmou que a medida garante direitos básicos durante a prisão e que a família não se opõe ao tratamento. No entanto, destacou que a existência de transtorno mental não implica automaticamente inimputabilidade. Segundo ele, documentos apresentados pela defesa indicam que a investigada fazia tratamento psiquiátrico, mas cursava Medicina e tinha condições de compreender suas ações. O comportamento após o atropelamento reforça esse entendimento, conforme o boletim de ocorrência: ela deixou o local e procurou abrigo na casa de um amigo.
O crime
Segundo testemunhas, Vitória discutiu com pessoas na rua e tentou agredi-las. Após a briga, entrou no carro e jogou o veículo contra uma residência. Imagens gravadas por vizinhos mostram que ela tentou atingir a casa uma primeira vez, deu marcha à ré e acelerou novamente, invadindo o imóvel e atropelando Odair Brustolin. Ele foi socorrido e levado ao hospital, mas não resistiu. Vitória fugiu do local. A Polícia Militar fez buscas e a localizou na casa de um amigo, onde ela havia pedido ajuda para fazer serviços de lanternagem e pintura no carro. Os policiais encontraram a mulher sentada na varanda; ela estava exaltada e agressiva, recebeu voz de prisão e foi levada ao Departamento de Flagrantes.
Áudios mostram discussão após atropelamento
Áudios enviados por Vitória a um grupo de moradores cerca de 25 minutos após o atropelamento, ocorrido por volta das 13h20, revelam uma discussão. Nas mensagens, ela afirma: “Eu avisei, eu avisei 10 vezes que, se não parassem de me chamar de louca, de ficar me tratando de louca, eu ia passar pelo portão. Eu falei, eu falei mil vezes. Eu não sei por que vocês ficam duvidando de alguma coisa, porque vocês já me conhecem”. As declarações foram registradas no boletim de ocorrência.



