A produção industrial brasileira registrou recuo em nove dos 15 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na comparação entre maio e abril de 2026. O dado faz parte da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada nesta sexta-feira (10) pelo instituto.
Quedas generalizadas
Entre os locais que apresentaram queda, as maiores retrações foram observadas no Amazonas (-3,2%), Espírito Santo (-2,8%) e São Paulo (-2,5%). Outros estados com desempenho negativo foram Bahia (-2,1%), Rio Grande do Sul (-1,9%), Minas Gerais (-1,5%), Paraná (-1,3%), Santa Catarina (-0,9%) e Rio de Janeiro (-0,7%).
Por outro lado, seis locais registraram crescimento na produção industrial no período. O destaque positivo ficou com o Pará, que avançou 4,1%, seguido por Goiás (3,5%), Ceará (2,8%), Pernambuco (1,9%), Mato Grosso (1,2%) e o agregado nacional (0,3%).
Comparação anual
Na comparação com maio de 2025, a produção industrial nacional apresentou alta de 1,8%. No acumulado dos primeiros cinco meses de 2026, o crescimento é de 2,1% ante igual período de 2025. O gerente da PIM, André Macedo, destacou que o resultado de maio reflete um cenário de recuperação heterogênea entre os setores e regiões.
“Ainda que a indústria como um todo tenha mostrado crescimento na comparação anual, o recuo mensal em nove dos 15 locais pesquisados indica que a recuperação não é uniforme e que ainda há desafios para a consolidação de uma trajetória de expansão sustentada”, afirmou Macedo.
Impacto nos setores
Entre os setores que mais contribuíram para a queda de maio estão a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, que recuou 3,8% na média nacional, e a produção de máquinas e equipamentos, com retração de 2,9%. Já os setores de alimentos (alta de 1,2%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (alta de 0,9%) ajudaram a sustentar o resultado positivo do agregado nacional.
O IBGE também informou que a capacidade instalada da indústria ficou em 78,4% em maio, estável ante abril. O número de horas trabalhadas na produção caiu 0,5% no mês, enquanto o nível de emprego industrial permaneceu estável.
Perspectivas
Para os próximos meses, analistas do mercado financeiro esperam que a produção industrial continue sendo influenciada pela política monetária restritiva e pela demanda externa. A taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano, ainda pressiona o custo do crédito para investimentos industriais. Além disso, a desaceleração da economia global, especialmente na China e nos Estados Unidos, pode reduzir as exportações de produtos industrializados brasileiros.
O IBGE ressalta que os dados são preliminares e podem sofrer revisões nas próximas divulgações. A próxima pesquisa, referente a junho, será divulgada em 12 de agosto.



