O que começou como uma brincadeira na escola se transformou em carreira musical para o cantor indígena Deivid Rossate Ajala, conhecido como Deivid Forrozeiro. Morador da Aldeia Te'yikue, em Caarapó (MS), o jovem de 24 anos encontrou no forró eletrônico uma forma de valorizar sua cultura: cantar no ritmo nordestino usando a língua guarani.
Do brinquedo ao palco
O interesse pela música surgiu aos 12 anos, quando a banda Forró Boys fazia sucesso nas aldeias. Fascinado, Deivid sonhava em cantar no mesmo estilo. A primeira apresentação foi na Semana dos Povos Indígenas na escola. "Eu estava com vergonha, mas fui cantar. Muita gente começou a rir porque não acreditava no que via", relembra. Apesar das brincadeiras, ele não desistiu.
Com um amigo, gravou vídeos simples pelo celular e se apresentou em eventos escolares. Aprendeu a tocar teclado em um instrumento de brinquedo e depois ganhou um profissional do pai. Em 2017, com ajuda de um tio músico, lançou uma música com videoclipe que viralizou no Facebook.
Forró eletrônico em guarani
Hoje, Deivid une o forró eletrônico (xote eletrônico) à língua guarani. Inspirado por bandas do gênero, ele incorporou sua identidade cultural às músicas. As canções românticas em guarani estão entre as mais pedidas. "Quando faço show nas aldeias, as músicas em guarani são as que as pessoas mais pedem", afirma.
Embora a maioria das apresentações seja em comunidades indígenas, Deivid está preparado para qualquer público. "Eu canto em português e em guarani. Se me chamarem para tocar na cidade, eu vou também", destaca.
Preservação cultural
Ao misturar um dos ritmos mais populares do Brasil com o guarani, Deivid cria um estilo próprio e ajuda a manter viva a cultura indígena entre os jovens. A proposta mostra que tradição e modernidade podem caminhar juntas. Enquanto o teclado e os arranjos eletrônicos embalam as apresentações, as letras em guarani reforçam a identidade cultural e preservam a história do povo.



