Em 2025, estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Paraíba adotaram regras que permitem que alunos avancem de ano mesmo reprovando em até seis disciplinas. A medida, conhecida como "progressão parcial", resultou em um aumento expressivo nas taxas de aprovação e nos índices do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).
Como funciona a progressão parcial
A progressão parcial permite que o estudante curse o ano seguinte enquanto realiza recuperação paralela nas disciplinas em que foi reprovado. No Rio de Janeiro, por exemplo, a regra vale para o ensino fundamental e médio, desde que o aluno não tenha sido reprovado em mais de seis matérias. No Rio Grande do Norte e na Paraíba, limites semelhantes foram estabelecidos.
Dados oficiais indicam que, nos três estados, a taxa de aprovação no ensino médio subiu de 78% em 2024 para 91% em 2025. O Ideb, que mede qualidade do ensino, avançou de 3,8 para 4,2 na média desses estados, superando a meta nacional.
Críticas e controvérsias
Especialistas em educação alertam que a progressão parcial pode mascarar deficiências de aprendizado. "A medida eleva artificialmente os indicadores, mas não garante que o aluno domine os conteúdos fundamentais", afirmou a professora da USP, Maria Silva, em entrevista. Segundo ela, a recuperação paralela muitas vezes é insuficiente, e o aluno acumula lacunas que comprometem seu desempenho futuro.
Já os defensores da política argumentam que a repetência é ineficaz e prejudica a autoestima dos estudantes. "A progressão parcial mantém o aluno engajado e evita a evasão escolar, que é um problema grave no ensino médio", disse o secretário de Educação do Rio de Janeiro, Carlos Oliveira.
Impacto no Ideb e próximos passos
O aumento do Ideb foi celebrado pelos governos estaduais, que veem na progressão parcial uma ferramenta para melhorar indicadores. No entanto, o Ministério da Educação (MEC) estuda estabelecer diretrizes nacionais para evitar disparidades. Em nota, o MEC afirmou que "a qualidade do aprendizado deve ser prioridade, e não apenas os números de aprovação".
Outros estados, como São Paulo e Minas Gerais, monitoram os resultados antes de adotar medidas semelhantes. Enquanto isso, pais e professores dividem-se entre o alívio com a redução da repetência e a preocupação com a formação dos alunos.



