Em Bauru, cidade de quase 400 mil habitantes no interior de São Paulo, mais de 2,5 mil estudantes das escolas estaduais compartilham os mesmos nomes de jogadores convocados para a Seleção Brasileira. Gabriel é o mais comum, com 978 alunos, podendo remeter a Gabriel Magalhães ou Gabriel Martinelli. Há também centenas de Matheus, como Matheus Cunha, e Lucas, como Lucas Paquetá. Mas entre tantas figurinhas repetidas, um nome é único: Neymar.
O único Neymar da rede estadual
Neymar Moura da Silva, de 15 anos, cursa o 1º ano do ensino médio e é o único aluno da rede estadual de Bauru a carregar o nome do camisa 10 da Seleção e do Santos. A raridade provoca reações por onde passa. Ainda hoje, há quem duvide quando vê o nome na chamada. "Os professores ficam desacreditados, né. Os alunos também que não acreditam passam a acreditar depois dos outros falarem", revela o menino Ney.
Brincadeiras e pressão na escola
Entre os colegas, as brincadeiras são inevitáveis. Nas aulas de educação física, a expectativa é ainda maior. "O pessoal cobra mais. Quando eu não jogo bem, falam que eu só tenho o nome. Quando jogo bem, aí elogiam", conta o estudante. Apesar da pressão, Neymar leva tudo na esportiva. Comunicativo e conhecido pelos colegas, ele participa das brincadeiras e já se acostumou a ouvir comentários sobre o nome.
Quem também se identifica com a situação é o professor de educação física Elvis, nome mundialmente associado a Elvis Presley. "Quem tem nome diferente nunca passa despercebido, né? Então, treinar o Neymar é tranquilo para mim. Eu sei como é ter um nome que foge do comum", brinca.
Personalidade dentro e fora da sala
Nas aulas, Neymar não fica apenas no banco. Corre, dribla, finaliza e participa de praticamente todas as jogadas. A professora de língua portuguesa, Ana Paula, diz: "O Neymar é agitado, como o jogador. Aqui ele dribla os alunos, é bem comunicativo". A colega Melany completa: "Ele fala pouquinho, bastante. Mas bem tranquilinho. Quando ele pega para fazer alguma coisa, faz mesmo".
A história por trás do nome
A ligação entre o menino Neymar de Bauru e o futebol começou antes de ele nascer. Os pais e os irmãos são santistas, e o nome é uma homenagem ao craque. A mãe revela que, durante a gravidez, brincava com o pai que o filho receberia o nome do jogador. "Quando descobrimos que era menino, o pai demorou para escolher um nome. Eu brincava que ia chamar Neymar. No fim, ficou Neymar mesmo", relembra.
Com o passar dos anos, o nome virou identidade e rendeu histórias curiosas. A família conta que, quando ele era pequeno, bastava chamá-lo em locais públicos para despertar a atenção. "Quando ele era menor, ia no mercado, no hospital, minha mãe: 'Vem, Neymar, vem para cá'. Ou aparecia no telão lá, e os outros procuravam: 'Cadê o Neymar?', e, no caso, era ele", conta o irmão Guilherme Moura da Silva.
Encontro com o ídolo
A paixão pelo Santos cresceu com ele. Em 2012, durante um jogo do clube em Bauru, o garoto teve a oportunidade de conhecer o craque que inspirou seu nome. A foto daquele encontro continua guardada com carinho pela família. "A partir dali só aumentou a paixão pelo Santos", afirma o irmão Douglas Moura.
Torcida na Copa do Mundo
Hoje, o estudante acompanha os jogos da Seleção e torce pelo xará na Copa do Mundo. Ele sabe que o camisa 10 enfrenta pressão semelhante à que ele encontra na escola, ainda que em escala menor. "Eu confio nele. Só que agora não depende só dele, depende da Seleção inteira", avalia.



