As bolsas do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE) da Capes estão congeladas há 16 anos e, segundo a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), não cobrem mais os custos básicos de vida nos países de destino. O coletivo alega que há um 'aumento expressivo do custo de vida nos países de destino' e 'variação cambial de moedas estrangeiras frente ao real', o que torna o valor insuficiente para despesas essenciais como moradia, alimentação e transporte.
Dificuldades financeiras dos doutorandos
Doutorandos como Valquíria Souza, que realiza pesquisa nos Estados Unidos, relatam que o valor da bolsa não cobre nem os gastos básicos, sendo necessário recorrer ao apoio da família para se manter no exterior. A situação é agravada pelo fato de que o valor atual é inferior ao exigido por países como os EUA para a emissão de documentos migratórios, o que cria um entrave burocrático adicional.
Críticas da ANPG
A ANPG critica a falta de reajuste das bolsas e ressalta que o congelamento por mais de uma década desvalorizou o benefício, prejudicando a mobilidade acadêmica e a formação de pesquisadores brasileiros. A entidade defende que o valor seja atualizado com base na inflação e na variação cambial, garantindo condições dignas para os estudantes no exterior.
O programa PDSE é uma das principais iniciativas de internacionalização da pós-graduação brasileira, permitindo que doutorandos realizem estágios de pesquisa em instituições estrangeiras. No entanto, a defasagem das bolsas ameaça a continuidade e a qualidade dessas experiências, impactando diretamente a produção científica do país.



