O icônico berranteiro José Bento Tavares Neto, conhecido como Zé Capeta, está completando 80 anos de caminhadas à tradicional Romaria de Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia. Prestes a completar 83 anos, ele se tornou uma figura emblemática na Festa do Divino Pai Eterno.
Origem da promessa e início da caminhada
Nascido em Itaberaí, Zé Capeta começou a fazer a caminhada pela rodovia dos romeiros quando tinha apenas 3 anos. Em entrevista à TV Anhanguera, ele contou que a presença anual no evento é o cumprimento de uma promessa de seu pai. "Eu era entrevado e não caminhava. Meu pai fez um voto para o Divino Pai Eterno que, se eu caminhasse, todo ano eu viria aqui", relatou.
Origem do apelido Zé Capeta
Ao g1, a filha de Zé Capeta, Maria José Bento Ferreira, conhecida como Jô, de 59 anos, explicou que o apelido vem de um feito aos 13 anos. "Ele dominou e domou uma mula muito brava, que já havia matado um peão de rodeio. Meu pai era pequeno e magrinho. Após dominar um animal perigoso, o próprio avô dele chamou-o pelo nome de Zé Capeta", contou. Segundo Jô, tanto a montaria em cavalos quanto o toque do berrante foram aprendidos sozinhos. "Ele tem suas próprias técnicas", explicou.
Carreira multifacetada
Além de berranteiro, Zé Capeta, que mora em Aparecida de Goiânia, teve diversas profissões. Foi funcionário público no antigo Banco do Estado de Goiás (BEG), adquirido pelo Banco Itaú em 2001. Também foi peão de rodeios e ator de TV, tendo estudado no Rio de Janeiro. Tornou-se reconhecido nacionalmente ao interpretar sua própria história na novela Ana Raia e Zé Trovão, na década de 1990, na extinta Rede Manchete. Depois, participou de outras novelas, inclusive na TV Globo.
Homenagem na Festa do Divino Pai Eterno
Nesta sexta-feira (3), às 14h, durante a Festa do Divino Pai Eterno, Zé Capeta será homenageado em um concurso de berranteiros, no qual também atuará como jurado. Vinte inscritos serão julgados por ele e outros integrantes do júri. Segundo Jota Carreiro, organizador do concurso, a homenagem se deve à história de Zé e sua contribuição à tradição goiana. Ele afirmou que o berranteiro é um "baluarte da cultura goiana e brasileira". "Ele fez muito por Goiás, pelo Brasil. Para mim, ele é um mito", declarou.



