Uma câmera de segurança de um parque de vaquejada registrou a correria de vaqueiros após o campeão de vaquejada Francisco Eudázio Lira Soares, conhecido como "Dadá Guedes", ser assassinado a facadas. O crime ocorreu em Quixeramobim, no interior do Ceará, em 7 de junho.
Suspeito foragido
O suspeito do crime é Darlei Teixeira Vitor, também chamado de "Sasom Boiadeiro", de 55 anos. No dia do ocorrido, ele fugiu de moto e está foragido há mais de uma semana. A Delegacia de Quixeramobim está à frente das investigações e realiza buscas para capturá-lo.
O crime
Momentos antes de ser morto, Dadá Guedes agradeceu pelo primeiro lugar em uma das categorias da vaquejada, posição que dividiu com outro competidor. O crime aconteceu quando ele saía da arena para guardar o troféu. O vídeo da câmera de segurança não flagra o momento em que Dadá é atingido com golpes na virilha e no ombro, mas mostra os outros vaqueiros indo a cavalo na direção da vítima, que caiu por trás de um caminhão.
Família contesta motivação
Inicialmente, uma testemunha relatou que o crime teria sido motivado porque o suspeito queria que Dadá Guedes dividisse com ele parte do valor ganho na competição, mesmo sem ele ser da equipe. A vítima já havia dividido o prêmio de R$ 2 mil com outro competidor, ficando R$ 1 mil para cada um. No entanto, a família de Dadá Guedes contesta essa versão e acredita que Sasom Boiadeiro "agiu com crueldade" motivado por outra coisa, ainda sob investigação. "Esse cara não tinha nada a ver com a premiação, ele não estava correndo com o Dadá. Ele matou por pura crueldade e a gente quer justiça", disse um parente.
Suspeito competiu na vaquejada
Sasom Boiadeiro participou da mesma vaquejada que Dadá Guedes, mas em categoria diferente. Ele competiu no sábado (6), na categoria "Master", para competidores com mais de 40 anos, mas não se classificou para a final no domingo. Dadá Guedes disputou a categoria "Aberto", que reúne vaqueiros amadores e profissionais. Outro vaqueiro, amigo da vítima, que também ficou em primeiro lugar e dividiu o prêmio, disse não saber a motivação do crime e destacou que o suspeito não teria direito a nenhum valor do prêmio, já que não chegou à fase final.
Colecionador de prêmios
Dadá Guedes era conhecido por ser habilidoso e colecionar prêmios na vaquejada, feito que compartilhava em seu perfil na rede social, com vídeos e fotos dos troféus. Segundo a família, ele sempre trabalhou com animais e era constantemente convidado para participar das vaquejadas como esteireiro ou puxador. Da infância humilde, encontrou na vaquejada sua grande paixão e viajou pelo Ceará e outros estados. "O que ele mais gostava era de vaquejada. Se saía da vaquejada, quando chegava em casa ficava assistindo no celular", disse um parente.
Agradecimento antes da morte
Antes de ser assassinado, Dadá Guedes agradeceu pelo primeiro lugar na categoria Rancho, que ganhou com outro competidor. "Só tenho a agradecer a Deus por tudo que tem feito na minha vida. [...] Não é fácil o cara fazer uma vaquejada dessas. Que Deus me abençoe, que dessa vez foi eu, graças a Deus", disse. Ele ainda agradeceu ao proprietário do cavalo, ao tratador e outros trabalhadores, e brincou que ia esquecendo de agradecer a esposa. Após o agradecimento, a confusão cessou e ele saiu para buscar o troféu. Quando retornava, antes de descer do cavalo, foi atingido por uma facada na virilha e outra no ombro. Socorrido e levado a um hospital, não resistiu aos ferimentos.
Parque de vaquejada se manifestou
A organização da vaquejada do Parque Custódio Rancho divulgou nota de pesar lamentando a morte do vaqueiro. O local foi inaugurado naquele fim de semana. "Neste momento de dor, nos solidarizamos com os familiares e amigos da vítima, rogando a Deus que conceda conforto e força para enfrentar essa irreparável perda", diz a nota. A organização afirmou que o crime ocorreu após o encerramento das atividades oficiais e que foram adotadas medidas de segurança durante o evento.



