Quem passa pelas ruas do Centro e dos bairros mais antigos de Ribeirão Preto (SP) certamente já reparou nos casarões e prédios históricos que se misturam às construções modernas. A cidade completou 170 anos e esses lugares contam a história do desenvolvimento local, desde a época dos barões do café até a chegada dos imigrantes. Preparamos um roteiro especial com 13 pontos que todo ribeirão-pretano precisa conhecer e que são ótimos passeios para turistas. Confira abaixo e monte seu roteiro.
Praça XV de Novembro
Inaugurada em 1890, a Praça XV é um dos cartões-postais mais conhecidos de Ribeirão Preto. Considerada o "marco zero" da cidade, foi a partir dela que surgiram as primeiras ruas e a expansão urbana começou, levando ao apelido de "Califórnia Brasileira". Além de espaço de lazer, a praça carrega história de luta política. Durante a ditadura militar, foi palco de passeatas e manifestações estudantis. Hoje, tombada pelo Condephaat, preserva essa memória no coração do Centro.
Local: Quadrilátero entre as ruas General Osório, Álvares Cabral, Duque de Caxias e Visconde de Inhaúma - Centro
Funcionamento: 24 horas
Entrada: gratuita
Quarteirão Paulista
Considerado o coração histórico e cultural da cidade, o Quarteirão Paulista foi idealizado pela Companhia Cervejaria Paulista a partir de 1927. O conjunto arquitetônico de estilo europeu reúne cartões-postais famosos, como o Theatro Pedro II (inaugurado em 1930, terceiro maior teatro de ópera do país), a Choperia Pinguim e o antigo Palace Hotel (1924), hoje centro cultural. Tombado como patrimônio, funciona como museu a céu aberto e é palco de grandes eventos, como a Feira Nacional do Livro.
Local: Rua Álvares Cabral, de frente para a Praça XV de Novembro - Centro
Funcionamento: 24 horas
Entrada: gratuita
Praça Carlos Gomes
Antes um grande terreno conhecido como Largo da Matriz, o local ganhou o nome do compositor Carlos Gomes após a construção do luxuoso Teatro Carlos Gomes em 1898. O teatro, financiado por fazendeiros como o Coronel Francisco Schmidt, foi construído com materiais importados, como mármore Carrara. Com o tempo, entrou em decadência, funcionou como cinema e foi demolido entre 1944 e 1945. Nos anos 1980, virou terminal de ônibus, desativado em 1999. Depois, artistas revitalizaram a praça com mosaicos coloridos no chão, hoje sua marca registrada.
Local: Quadrilátero entre as ruas General Osório, Duque de Caxias, Visconde de Inhaúma e Barão do Amazonas - Centro
Funcionamento: 24 horas
Entrada: gratuita
Catedral Metropolitana de São Sebastião
Principal igreja católica da cidade, a Catedral começou a ser construída em 1904, mas as obras só engrenaram em 1908 com a chegada do primeiro bispo, Dom Alberto Gonçalves. O pintor Benedito Calixto produziu as telas internas entre 1916 e 1922. O templo ficou pronto em 1922, levando cerca de 18 anos. Tombada pelo Condephaat, tem estilo neogótico e é aberta à visitação.
Local: Praça das Bandeiras - Centro (esquina com ruas Florêncio de Abreu e Lafaiete)
Funcionamento: Missas em diversos horários; aberta diariamente
Entrada: gratuita
Palácio Rio Branco
Inaugurado em 1917, o Palácio Rio Branco tem 1,8 mil m² e arquitetura inspirada na europeia. Já abrigou a Câmara dos Vereadores, a Prefeitura e a Procuradoria. O nome homenageia o Barão do Rio Branco. A riqueza do café financiou a obra. Atualmente, está fechado para restauro orçado em R$ 6,5 milhões, que começou em junho de 2024. A previsão de entrega era novembro de 2025, mas foi prorrogada após a descoberta de elementos originais. Não há nova data.
Local: Praça Barão do Rio Branco - Centro
Funcionamento: Fechado para obras
Entrada: apenas contemplação externa
Casa de Câmara e Cadeia (atual MIS)
Construído em 1887, o prédio seguia o modelo colonial: o andar de cima abrigava a Câmara e sala de julgamentos; o de baixo, a cadeia pública. Mesmo antes de ficar pronto, já recebia presos. Hoje, o casarão preserva a arquitetura histórica e é sede do Museu da Imagem e do Som (MIS), com acervo audiovisual da cidade.
Local: Rua Cerqueira César, 371 - Centro
Funcionamento: Terça a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 17h
Entrada: gratuita
Basílica Menor Santo Antônio de Pádua
Localizada na Rua Paraíba, a Basílica foi inaugurada em 1947, com arquitetura românica (arcos redondos), diferente do neogótico da Catedral. Administrada pelos monges olivetanos, foi elevada a basílica pelo Papa Francisco em 2019, ficando sob jurisdição direta do Vaticano. Há também uma igreja mais antiga (1897) dedicada a Santo Antônio, conhecida como Santo Antonino.
Local: Rua Paraíba, 747 - Campos Elíseos
Funcionamento: Aberta diariamente, com missas em vários horários
Entrada: gratuita
Estação Barracão
Fundada em 1886, foi a principal porta de entrada para imigrantes, principalmente italianos, que trabalhavam nas fazendas de café. Após o desembarque, eram registrados e ficavam em alojamentos temporários. O movimento ajudou a formar bairros como Ipiranga (Barracão de Cima) e Campos Elíseos (Barracão de Baixo). O prédio pertence ao governo federal, é protegido pelo Iphan e está fechado, aguardando restauro.
Local: Região da Rua dos Aliados (entre Ipiranga e Campos Elíseos)
Funcionamento: Fechado ao público
Entrada: apenas contemplação externa
Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP)
Construído em 1908 como sede da Sociedade Recreativa, é a edificação mais antiga do complexo de praças centrais ainda de pé. Após reforma, abriu como museu em 1992. Tombado como patrimônio, recebe exposições de arte e mostras culturais. A Prefeitura disponibiliza tour virtual no portal oficial.
Local: Rua Barão do Amazonas, 323 - Centro
Funcionamento: Terça a sábado, das 9h às 12h e das 14h às 18h
Entrada: gratuita
Santuário das Sete Capelas
Localizado no Morro de São Bento, o santuário é um dos maiores símbolos de fé da cidade. A construção começou em 1948, com pedras de uma pedreira local, e foi concluída em 1956. As sete capelas em semicírculo são dedicadas a diferentes padroeiros. Destaque para a Capela da Penitência, com escadaria de 28 degraus inspirada na "Escada Santa" de Roma, onde fiéis sobem ajoelhados. O nome oficial é Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa.
Local: Via São Bento - Morro de São Bento
Funcionamento: Diariamente, das 7h às 16h; missas em horários específicos
Entrada: gratuita
Palacete Camilo de Mattos
Construído em 1922, o casarão é uma lembrança do auge do café. Totalmente restaurado, reabriu recentemente. Preserva móveis originais, vitrais e detalhes da arquitetura histórica, permitindo uma viagem no tempo para conhecer a vida das famílias ricas da época.
Local: Rua Duque de Caxias, 625 - Centro
Funcionamento: Segunda a sábado, das 9h às 11h e das 12h30 às 16h
Entrada: gratuita; visitas guiadas podem ser agendadas
Cervejaria Paulista (atual A Fábrica)
Fundada em 1913, a Companhia Cervejaria Paulista construiu um grande prédio na Avenida Jerônimo Gonçalves, gerando empregos para imigrantes. Fez sucesso com marcas como Niger e Trust. Mesmo na crise de 1929, investiu no Quarteirão Paulista. Em 1973, fundiu-se com a Antarctica. Hoje, a estrutura de tijolinhos foi revitalizada e abriga o espaço cultural e de eventos "A Fábrica".
Local: Rua Mariana Junqueira, 33 (esquina com Av. Jerônimo Gonçalves) - Centro
Funcionamento: Segunda a sexta, das 9h às 18h
Entrada: gratuita; eventos pagos conforme programação
Biblioteca Sinhá Junqueira
Inaugurada em 1960, funciona em um casarão histórico de 1932 totalmente restaurado. Em 2020, passou por reforma de R$ 11 milhões, que preservou a arquitetura antiga e ergueu um prédio moderno. Conta com 15 salas de estudo, 40 computadores com internet gratuita, equipamentos de acessibilidade e acervo com mais de 11 mil obras. Oferece oficinas, palestras, shows, contação de histórias e clubes de leitura. É um dos palcos da Feira Internacional do Livro.
Local: Rua Duque de Caxias, 547 - Centro
Funcionamento: Terça a sábado, das 9h às 18h
Entrada: gratuita
Memorial da Classe Operária (antiga UGT)
Fundada em 1923, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) lutou por direitos dos trabalhadores do campo e da cidade. Em 1964, sofreu intervenção da ditadura militar. Depois, foi ocupada pelo grupo Zé do Patrocínio, tornando-se referência para o movimento negro. Hoje, o casarão abriga o Memorial da Classe Operária, preservando memórias de luta social.
Local: Rua José Bonifácio, 59 - Centro
Funcionamento: Visitas guiadas e eventos conforme programação
Entrada: gratuita



