Revoada de maritacas chama atenção em Piracicaba; veja vídeo
Revoada de maritacas chama atenção em Piracicaba

Um grande bando de maritacas chamou a atenção de moradores do bairro Vila Sônia, em Piracicaba, na manhã desta sexta-feira (26). As aves foram filmadas pela EPTV, afiliada da TV Globo, enquanto voavam sobre uma plantação de sorgo.

Comportamento das aves no inverno

O ornitólogo Eduardo Roberto Alexandrino, que realiza pós-doutorado no Laboratório de Ecologia, Manejo e Conservação da Fauna Silvestre da Esalq/USP, explicou que esse comportamento pode estar relacionado à busca por alimento durante o período mais frio do ano. “Estamos em um período de bastante frio. As aves têm um metabolismo alto e esse é o momento do ano em que alguns alimentos podem ficar mais escassos”, informou.

No inverno, a produção de frutos nas árvores da área urbana é menor. Com isso, a plantação de sorgo pode ser uma fonte de alimento fácil e atrativa para o periquitão-maracanã, conhecido popularmente como maritaca.

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Voar em bando é natural

O especialista também destacou que voar em bando é um comportamento natural da espécie durante o ano inteiro, embora a ciência ainda não tenha todas as respostas sobre o que desencadeia a formação de grupos maiores. Apesar da quantidade de aves na lavoura, Alexandrino afirmou que o grupo não deve permanecer no local a ponto de consumir tudo, pois as maritacas possuem uma grande “área de vida” e podem se deslocar para outro lugar.

Alerta para não alimentar as maritacas

Com a popularização dos comedouros em casas, Eduardo alerta que a população não deve alimentar esses animais. Segundo ele, frutas compradas no comércio e sementes, como girassol, têm muita energia e são muito atrativas. Por isso, os bandos podem passar a frequentar esses locais todos os dias. No curto prazo, isso pode causar excesso de sujeira e fezes, o que costuma gerar atritos entre vizinhos.

O especialista lembra que o período reprodutivo da espécie começa no fim de agosto e vai até março. Atrair essas aves para perto das casas pode fazer com que elas escolham esses locais para se reproduzir. “Elas têm um bico muito forte, conseguem cavoucar madeira, tijolos, se encontrar uma frestinha dentro de um forro, ela vai fazer ninho lá. E isso é um grande problema. A sujeira aumenta, retirar ela de lá não é fácil, às vezes precisa de licença”, afirma.

A recomendação do ornitólogo é deixar que os animais procurem o alimento na natureza.

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