O ministro dos Transportes, George Santoro, cumpriu agenda no Acre nesta segunda-feira (15), com anúncios de obras na BR-364 e uma visita aos destroços da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, que desabou no dia 5. Ele chegou à capital acreana após as 8h, reuniu-se com a governadora Mailza Assis no Palácio Rio Branco e foi ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Anúncios de reconstrução e investimentos
Durante a agenda, o ministro assinou o aviso de licitação para a reconstrução de 104 quilômetros da BR-364, no trecho entre Sena Madureira e Rio Macapá, incluindo o acesso a Manoel Urbano. O valor da obra é de R$ 714 milhões, conforme o governo federal. Santoro afirmou que o investimento faz parte de um conjunto de obras para recuperar a principal rodovia federal do Acre.
“Isso aqui é reconstrução, não é manutenção. A gente está adotando uma solução definitiva para evitar toda hora ter que fazer uma manutenção mais intensa”, disse em entrevista coletiva. O ministro também anunciou o cronograma de conclusão de três obras importantes: o prolongamento da Ponte de Tarauacá, a reconstrução da Estrada do Aeroporto em Rio Branco e a recuperação emergencial da Ponte do Caeté, em Sena Madureira.
Ponte do Caeté interditada e planos futuros
A ponte sobre o Rio Caeté, na BR-364, foi interditada no dia 5 pelo Dnit após vistoria técnica identificar movimentação do solo nas margens. Santoro afirmou que o governo federal mantém contratos de manutenção nas rodovias acreanas e que novas obras devem ser executadas nos próximos meses, com meta de melhorar os trechos críticos até setembro.
“Temos vários pontos com piso muito crítico. Estamos fazendo um plano para melhorar esses trechos e avançar na recuperação da malha rodoviária”, declarou. O ministro também comentou sobre o Anel Viário de Brasiléia, cujas obras foram retomadas pelo Dnit, com investimento previsto de R$ 90 milhões.
Visita a Sena Madureira
Após a agenda na capital, Santoro seguiu para Sena Madureira para vistoriar a área da Ponte Frei Paolino Baldassari, que desabou sobre o Rio Iaco. Ele colocou equipes técnicas do Dnit à disposição do governo do Acre para auxiliar nas avaliações. “Coloquei a equipe de engenheiros do Dnit à disposição do governo para auxiliar no que for preciso em relação à ponte que caiu”, afirmou.
A visita ocorre dez dias após o acidente. Das quatro pessoas feridas, três já receberam alta. O juiz aposentado Edinaldo Muniz, de 54 anos, segue internado na UTI, mas foi extubado no sábado (13).
Bloqueio de bens da construtora
Na sexta-feira (12), a Justiça do Acre determinou o bloqueio de bens da Construtora Cidade, responsável pela construção da ponte, em até R$ 36 milhões, valor correspondente ao custo da obra. A decisão atende a ação do Ministério Público do Acre (MP-AC) e mantém a suspensão de contratos e pagamentos do governo estadual à empresa. Também foi determinada a preservação de documentos e provas, e o Estado deverá apresentar as apólices de seguro em 15 dias.
Outra determinação estabelece prazo de 30 dias para a apresentação do laudo oficial sobre as causas do desabamento e do laudo de dano ambiental, além de um plano de trabalho para retirada dos escombros e reconstrução da ponte. O governo também deverá detalhar ações emergenciais para a Estrada Mário Lobão.
Entenda o caso
A Ponte Frei Paolino Baldassari foi inaugurada em 19 de dezembro de 2023, com 232 metros de extensão e custo de R$ 36 milhões. A parte que ruiu corresponde a 60% da estrutura, cerca de 139 metros. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as causas, e o MP-AC solicitou perícia ao Dnit para verificar falhas no projeto, execução ou materiais. A construtora informou que havia identificado rachaduras e movimentações no solo dias antes e recomendou a interdição, atribuindo o desabamento ao fenômeno de erosão conhecido como “terras caídas”.



