O governo Tarcísio de Freitas já considera a possibilidade de que a Estação 14 Bis-Saracura, na Bela Vista, centro de São Paulo, não seja concluída até o prazo contratual de outubro de 2027. O contrato com a concessionária Acciona prevê a entrega de toda a Linha 6-Laranja até essa data, mas o diretor-presidente da Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), André Isper, admitiu ao Estadão nesta quinta-feira, 25, que a parada pode ficar para depois.
Obra paralisada por sítio arqueológico
As obras na Estação 14 Bis-Saracura foram interrompidas em 2022 após a descoberta de um sítio arqueológico do Quilombo Saracura. Mais de 100 mil artefatos ligados ao quilombo foram encontrados durante as escavações, o que levou a estação a ser rebatizada para 14 Bis-Saracura. “Essa estação em particular talvez não seja inaugurada em 2027. Não posso te afirmar um prazo final”, disse Isper. A Acciona ainda não se manifestou oficialmente.
O CEO da Acciona no Brasil, André De Angelo, já havia reconhecido a dificuldade em fevereiro deste ano. “Será um desafio muito grande colocá-la em operação em 2027 junto às demais estações.” Atualmente, apenas 15% da obra na 14 Bis está concluída. “Ela atrasou bastante por uma questão de licenciamento histórico-cultural. Foi uma questão muito particular. Mas o que interessa é que agora a obra está andando, a construtora está fazendo um esforço grande para recuperar o cronograma”, afirmou Isper.
Primeiras estações serão inauguradas na próxima semana
Na próxima semana, o Governo e a Acciona inauguram as primeiras seis estações da Linha 6-Laranja: João Paulo I e Freguesia do Ó, na zona norte, e Santa Marina, Água Branca, Sesc-Pompeia e Perdizes, na zona oeste. Em outubro deste ano, mais duas paradas serão abertas: Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado, também na zona norte. O contrato prevê a abertura do trajeto completo, com 15 estações, até outubro de 2027.
O presidente da Artesp destaca que, embora a 14 Bis possa não ser entregue, o restante da linha está dentro do cronograma. “No próximo ano, vai operar da Brasilândia até a São Joaquim, que é o mais importante.”
Autorização do Iphan e exibição de artefatos
Em março, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) autorizou a retomada das obras na estação após análise técnica do sítio arqueológico. “Indícios apontam para a existência da estrutura de um possível terreiro e de outros objetos ligados à religiosidade afro-brasileira”, declarou o órgão. Estruturas de drenagem do córrego Saracura também foram encontradas. O Iphan propôs que a concessionária exiba alguns dos objetos encontrados dentro da própria estação, para que fiquem acessíveis à comunidade.
“O ritmo de escavação está inferior ao esperado, porque estamos seguindo todas as orientações dadas pelo Iphan”, afirmou em fevereiro o CEO da Acciona. A descoberta arqueológica impactou diretamente o cronograma, mas as obras seguem em andamento com supervisão do órgão federal.



