Uma cena registrada dentro de uma lavanderia em Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), viralizou nas redes sociais e emocionou o público. Duas crianças, de 11 e 9 anos, que vendiam trufas na rua para ajudar a família, entraram no estabelecimento para acompanhar o jogo do Brasil contra a Escócia na Copa do Mundo. A partida terminou 3 a 0 para a seleção brasileira.
Momento de alegria registrado por câmeras
O registro foi feito por câmeras internas da lavanderia 24 horas, que possui uma televisão para clientes assistirem aos jogos da Copa. Na noite da última quarta-feira (24), os meninos pausaram a venda de doces para torcer. Vestidos com a camisa do Brasil, sentaram nas poltronas e, a cada gol, pulavam e gritavam de alegria. Em certo momento, comentaram sobre a possibilidade de Neymar entrar na partida, o que ocorreu no segundo tempo.
Família depende da venda de trufas
O pai das crianças, Paulo Gadelha, mora em Pacatuba com a esposa e nove filhos. A única fonte de renda atual é a venda de trufas, cada uma custando R$ 3. “Por dia, às vezes a gente consegue tirar R$ 60, R$ 70. No dia melhor, a gente tira R$ 90. Os meninos estudam em tempo integral e, quando chegam de tardezinha, é que me ajudam”, explica o pai. Paulo trabalhava como motorista de aplicativo, mas sofreu um acidente e precisou parar. Ele alugava uma motocicleta, mas não conseguiu continuar pagando e resolveu apostar na venda de trufas.
Repercussão e reconhecimento
Com a viralização do caso, as crianças estão ficando conhecidas na cidade. “Os meninos disseram que foram no mercado e pediram pra tirar foto com eles. Eles estão animados e merecem”, contou Paulo. O proprietário da lavanderia, Jefferson de Lima, estava em casa quando resolveu olhar as câmeras de segurança. Ao notar as crianças assistindo ao jogo, emocionou-se. Jefferson já conhecia os meninos, que costumavam ir à lavanderia assistir desenhos antes de terem televisão em casa. “Aquilo ali me tocou, emocionou. Sem intenção nenhuma eu postei nos stories da lavanderia. Quando foi no outro dia, que eu acordei, já tinham várias páginas repostando, entrando em contato com a lavanderia, pedindo autorização. Por coincidência, as crianças moram perto da lavanderia. Eu fui conhecer a realidade deles. Os pais são guerreiros”, relatou ao g1.



