O Boi Garantido fechou a segunda noite do 59º Festival de Parintins na sexta-feira (26) com o espetáculo "Parintins, Portal da Diversidade", que celebra a vida, a resistência e a pluralidade cultural da região amazônica. A apresentação, que integrou o bloco "Noite 02", conduziu o público por um manifesto artístico que exalta a floresta como um portal de conexão ancestral, unindo histórias, ritos, lendas e mitos sob o signo da união entre todos os povos.
Abertura com alegoria 'Parintins, Portal da Diversidade'
A abertura do espetáculo foi conduzida pela alegoria "Parintins, Portal da Diversidade", assinada pelo artista Mingo Cardoso e equipe. A estrutura traduz a ideia de que a ilha de Parintins nasce de um sopro divino de harmonia, onde a arte pulsa na alma e no sangue de seus habitantes. O quadro celebrou a tolerância e o respeito, definindo Parintins como um espaço de acolhimento para "todos os parentes", sem distinções.
Lenda Amazônica 'Kamara' inspirada na cosmologia Hexkaryana
Na sequência, o boi vermelho apresentou a Lenda Amazônica "Kamara", criada por Marlon Brandão e equipe. Inspirada na cosmologia do povo Hexkaryana, que habita as bacias dos rios Nhamundá e Jatapu, a obra narra a criação do mundo a partir de Yuxibu e o surgimento de Kamara, a onça-mãe espiritual. A estrutura representa o nascimento dos primeiros homens através da transformação de elementos como pedras e águas, reverenciando a força da onça ancestral que permanece como guardiã dos ciclos climáticos e das tempestades.
Figura Típica Regional 'Coletores da Amazônia - Povo do Jamaxi'
O espetáculo seguiu com a Figura Típica Regional "Coletores da Amazônia - Povo do Jamaxi", assinada por Kemerson Guerreiro e equipe. A alegoria exaltou a sabedoria milenar de seringueiros, erveiras, peconheiros, castanheiros e agricultores que extraem recursos de forma coletiva e sustentável, sem destruir a natureza. A encenação homenageou esses "doutores da preservação", destacando o cultivo tradicional em suas roças e a produção de alimentos essenciais como a farinha, o beiju e o tucupi.
Ritual Indígena 'Espíritos Guardiões - Ritual Hexkaryana'
O momento culminante da noite foi o Ritual Indígena "Espíritos Guardiões - Ritual Hexkaryana", assinado pelo artista Ozéas Bentes e equipe. O quadro encenou a complexa atuação dos pajés Hexkaryana como mediadores entre o mundo vivo e o plano espiritual. Na arena, o Garantido dramatizou o ritual de cura em que o espírito do pajé se desprende do corpo para combater entidades malignas envoltas pela neblina, contando com o auxílio dos Kaxwana, os espíritos guardiões que assumem a forma de chamas vivas e animais sagrados para restaurar a ordem e trazer a cura à aldeia.
Encerramento com forte apelo ecológico e base etnográfica
Com grandes alegorias, forte apelo ecológico e base etnográfica, o Garantido encerrou sua participação na segunda noite da disputa de 2026. O espetáculo reforçou a proposta do boi vermelho de celebrar a Amazônia como santuário ecológico e solo sagrado de diversidade humana, saberes tradicionais e conexão espiritual.



