Morar em um castelo medieval pode parecer um sonho, mas a realidade da família que vive no Castelo de Bienassis, no norte da França, está longe dos contos de fadas. A propriedade, construída no século XII, impressiona pelo tamanho: mais de mil metros quadrados, dezenas de cômodos, jardins, estábulos e muralhas históricas. Toda essa grandiosidade, no entanto, traz desafios diários.
Falta de internet e paredes de pedra
Logo nos primeiros minutos de visita, um problema surge: as paredes de pedra, que na Idade Média protegiam o castelo de invasões, hoje bloqueiam o sinal de internet. "Eu estava testando o sinal de internet. Esquece. Praticamente não funciona, só via satélite", relata a equipe de reportagem. A conexão é apenas um dos obstáculos.
Rotina intensa de trabalho
Manter um patrimônio histórico desse porte exige dedicação integral. "Todo mundo tem que cooperar: limpar os salões, lavar o estábulo. Tem muito bicho para alimentar", explica a família. Para Pierrive, um dos proprietários, viver ali é mais que morar: "É um ecossistema. Você vive e também trabalha aqui." A rotina inclui cuidar dos jardins, animais e manutenção. Até cozinhar exige planejamento: "Às vezes você está cozinhando e esqueceu um tempero. Tem que andar uns 400 metros até o jardim para buscar. A gente anda muito, tem que ter organização", conta Nathalie.
Vida longe da cidade
A família deixou Paris após herdar o castelo e hoje vive cercada por natureza. "É muito bom viver no campo com os cachorros. Tem bastante espaço. A gente respira um ar puro e sente uma liberdade enorme", diz um dos filhos. Mas ele admite: "Também tem o lado mais difícil de ficar longe da cidade e dos nossos amigos." Na escola, a reação era de espanto: "Eu lembro que muita gente dizia que eu estava pirando quando eu contava que morava em um castelo."
Patrimônio que precisa se sustentar
O casal Nathalie e Pierrive abandonou a vida profissional para administrar a propriedade, com ajuda de cinco funcionários. Para gerar recursos e preservar o castelo, abriram o espaço ao público. Visitantes podem conhecer jardins e salões durante a semana. O local também recebe casamentos, eventos culturais e espetáculos de luzes. "Não queremos que esse castelo seja um privilégio. Ele é um patrimônio local de toda a região", afirma Nathalie. A estratégia mantém viva uma construção de quase mil anos, que depende do trabalho diário de quem vive atrás de suas muralhas.



