Estação Mogiana reformada, mas complexo comercial segue sem data em Franca
Estação Mogiana reformada, mas complexo comercial sem data

A revitalização do prédio da antiga Estação Mogiana, um dos principais patrimônios históricos de Franca (SP), mudou o visual do local após anos de abandono. No entanto, o projeto original que previa a instalação de um mercado popular e um espaço gastronômico ainda não saiu do papel.

Investimento e atrasos

Com investimento de mais de R$ 2,9 milhões, as obras começaram em 2022. A previsão inicial de entrega era outubro de 2023, prazo que acabou prorrogado para fevereiro de 2024. Para quem passa pelo local, a impressão é de que a obra está finalizada, mas parte da estrutura segue de portas fechadas. Procurada, a Prefeitura de Franca decidiu não se manifestar sobre o caso.

Projeto comercial fracassou

No fim de 2025, a administração municipal iniciou um processo para ocupação do futuro mercado que funcionaria na Mogiana. Foi aberta uma concorrência pública para a concessão de 26 espaços comerciais, divididos em 20 boxes, 5 quiosques e uma área destinada a bar ou café. O critério de seleção era a maior oferta de valor mensal de locação para cada espaço, com lances mínimos que variavam de R$ 628 (quiosques) a R$ 5,7 mil (bar/café). A iniciativa, no entanto, fracassou por falta de interessados e as licitações foram consideradas desertas.

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Segundo o professor e historiador Pedro Tossi, a falta de adesão alterou os planos para o local. "Quando isso foi licitado, várias licitações deram vazias. E de tal forma que foi necessário mudar a tipologia do uso. Agora, por sorte, a tipologia será para atividades culturais. O que tem que ser festejado e celebrado é que foi investido dinheiro público para manutenção da memória histórica da cidade", afirma.

O que está funcionando

Apesar do impasse com a área comercial, o prédio já retomou parte das atividades rotineiras. O espaço dedicado à busca de conhecimento voltou a funcionar, abrigando a biblioteca municipal com seções de livros para adultos, adolescentes e crianças. O vendedor David Lopes, morador da região, aprova o retorno do serviço. "Eu tenho uma biblioteca em casa também para as crianças, mas a gente pega novos títulos. Eles gostam de ler, a mãe estimulou, e a gente veio devolver e pegar mais alguns", conta.

A música também ocupa o local. Crianças de 8 a 12 anos participam de aulas com instrumentos musicais nas dependências da antiga estação. A movimentação agrada aos lojistas do entorno. A comerciante Nilza Faciroli, que trabalha em uma lotérica em frente ao prédio, está otimista. "Aqui está legal. A gente está curioso para ver que dia que vai abrir [o restante]. No começo, achei que ia privar um pouco a situação, porque achei que não ia ter estacionamento. E já estou vendo carro estacionado, então está legal isso também", diz.

Restauração e importância histórica

A Estação Mogiana teve papel fundamental no desenvolvimento econômico e na expansão urbana do município. Inaugurada em abril de 1887 pela Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, a linha férrea permitiu o escoamento da produção cafeeira regional e facilitou o transporte de passageiros. Na época, a região contava com apenas duas residências. Com os trilhos, a cidade passou a se expandir em direção à estação. O prédio atual, no entanto, foi erguido entre 1937 e 1939, com projeto do engenheiro Ernesto Chagas, inspirado no estilo Art Déco.

O historiador Pedro Tossi destaca os detalhes da restauração recente, que custou quase R$ 3 milhões aos cofres públicos. "Foram sanados os problemas de umidade. Foram trocadas telhas, mas preservados determinados planos. Aquela torre de onde era a bilheteria, aquelas telhas são originais. As outras telhas que não davam para restaurar, foram escolhidas as melhores e feita uma reserva técnica", explica.

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Cronologia do declínio ferroviário em Franca

  • 1977: Os trens de passageiros deixaram de circular pelo município;
  • 1980: Passagem do último trem de carga pelo local;
  • 1988: Retirada dos trilhos, encerrando a atividade ferroviária no trecho urbano;
  • 1997: Tombamento do imóvel pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico.

Ao longo das últimas décadas, antes de ser fechado para as obras atuais, o prédio chegou a abrigar diversos serviços públicos, como o cartório eleitoral e outros órgãos da administração municipal.