O que acontece com o lixo da sua cidade depois que o caminhão passa? O gestor e consultor técnico em resíduos sólidos urbanos, Márcio Velho da Silva, explica o destino dos resíduos e o que separa as cidades que destinam o lixo corretamente daquelas que ainda convivem com lixões a céu aberto.
Destinação correta versus lixões
Segundo Márcio Velho, a diferença fundamental está na infraestrutura e no planejamento. Cidades que investem em aterros sanitários licenciados e programas de coleta seletiva conseguem reduzir impactos ambientais e riscos à saúde pública. Já os lixões a céu aberto, ainda presentes em muitos municípios brasileiros, geram contaminação do solo e da água, além de emissão de gases poluentes.
O especialista destaca que a destinação inadequada dos resíduos é um problema crônico. “Muitas prefeituras enfrentam dificuldades técnicas e financeiras para implementar sistemas eficientes de gestão de resíduos, o que perpetua a existência de lixões”, afirma Márcio Velho.
Etapas do processo após a coleta
Após o caminhão passar, o lixo segue para uma estação de transbordo ou diretamente para o aterro sanitário. Em locais com coleta seletiva, os materiais recicláveis são separados e encaminhados para cooperativas ou indústrias de reciclagem. O lixo orgânico e rejeitos vão para aterros, onde são compactados e cobertos diariamente com terra para evitar proliferação de vetores e odores.
Márcio Velho ressalta que a destinação correta envolve também o tratamento de chorume e a captação de biogás. “Aterros bem operados possuem sistemas de drenagem de líquidos e gases, minimizando a poluição e gerando energia”, explica.
Desafios e soluções
Entre os principais desafios estão a falta de educação ambiental da população, a baixa adesão à coleta seletiva e a insuficiência de recursos municipais. O consultor aponta que soluções passam por políticas públicas integradas, parcerias público-privadas e incentivos à reciclagem.
“O lixo não desaparece quando o caminhão passa. Ele tem um destino que pode ser sustentável ou prejudicial. A escolha depende de cada um de nós, cidadãos e gestores”, conclui Márcio Velho da Silva.



