Estudo revela desigualdade na segurança de pedestres em São Paulo
Desigualdade na segurança de pedestres em SP é revelada por estudo

Um recente estudo do Instituto Corrida Amiga, em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), revelou que a segurança ao atravessar uma rua em São Paulo varia conforme a região onde o paulistano vive, estuda ou trabalha. A pesquisa aponta que o chamado centro expandido concentra uma infraestrutura semafórica para pedestres muito superior à das regiões periféricas. Enquanto a área central possui 15 semáforos para pedestres a cada 10 mil viagens a pé, os demais distritos somam apenas 6 semáforos para o mesmo número de deslocamentos.

Desigualdade no direito de ir e vir

O principal achado do estudo Travessias Seguras e Desigualdade Territorial em São Paulo é a constatação de que a desigualdade na cidade mais rica do país atinge até mesmo o exercício do direito de ir e vir. Os números corroboram essa avaliação: 82% das viagens a pé ocorrem fora do centro expandido. Não há excesso de semáforos na área central, mas sim uma carência na periferia, justamente onde as pessoas mais caminham. É preocupante que a segurança ao atravessar uma via pública dependa do CEP, e não de condições de infraestrutura garantidas a todos.

Prioridade para veículos

O poder público parece não priorizar os pedestres, o que explica o desrespeito frequente de condutores de motos, carros, ônibus e caminhões às faixas de pedestres, além da invasão de ciclovias e calçadas por motoboys. A cidade fez uma escolha: enquanto há 172 semáforos para pedestres com aviso sonoro e 25 com contagem regressiva, existem 1.103 semáforos inteligentes para veículos. Os condutores entenderam o recado: carros e motos são prioridade.

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Mudança necessária

Cabe ao poder público reverter esse cenário, no qual mais de 400 pedestres morrem atropelados por ano em São Paulo – mais de um por dia, segundo o Infosiga do Detran-SP. Sérgio Avelleda, coordenador do Núcleo de Mobilidade Urbana do Insper, destaca que o estudo sugere espaço para revisão das prioridades de investimento em segurança para pedestres. Uma boa iniciativa seria copiar experiências bem-sucedidas internacionais, como o uso de inteligência artificial para priorizar pedestres, aumentar o tempo de travessia e instalar mais semáforos com contagem regressiva e aviso sonoro.

Obediência à lei

Outro caminho é seguir a lei: o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece que veículos de maior porte são responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres. Simples e direto: o pedestre sempre tem prioridade, e o poder público e os condutores têm o dever de respeitar isso.

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