Desenrola Adimplentes: governo lança crédito mais barato para quem paga em dia
Desenrola Adimplentes: crédito barato para bons pagadores

O governo federal lançou nesta segunda-feira (29) uma nova fase do programa Desenrola, desta vez voltada a um público diferente. Batizado de Desenrola Adimplentes, o programa pretende oferecer crédito mais barato para consumidores que estão pagando suas dívidas em dia, mas ainda convivem com empréstimos contratados a juros elevados.

A mudança representa uma nova estratégia da equipe econômica. Se a primeira versão do Desenrola buscava retirar milhões de brasileiros da inadimplência, agora o objetivo é impedir que parte dessas pessoas chegue a esse estágio.

Como funciona o Desenrola Adimplentes?

Nesta edição do programa, os beneficiários poderão renegociar dívidas de até R$ 15 mil por pessoa, com descontos que variam de 30% a 90%. Desta vez, o público-alvo são trabalhadores informais, com dívidas no crédito pessoal não consignado.

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Na prática, o governo tenta reduzir o peso das parcelas no orçamento das famílias antes que elas deixem de pagar as contas.

O que muda em relação ao Desenrola original?

Lançado em 2023, o Desenrola Brasil concentrou esforços na renegociação de dívidas em atraso. O programa reuniu bancos, governo e credores para reduzir descontos, ampliar prazos e retirar consumidores dos cadastros de inadimplentes.

A nova modalidade inverte a lógica. Em vez de renegociar débitos vencidos, a proposta é substituir empréstimos que ainda estão sendo pagos por operações com juros menores.

Como deve funcionar?

A ideia é simples: o banco quita a dívida antiga e substitui o contrato por outro com juros menores. O consumidor continua pagando o empréstimo, mas em condições potencialmente mais favoráveis. Diferentemente da primeira fase do Desenrola, porém, o sucesso da iniciativa dependerá muito mais da adesão das instituições financeiras.

No programa voltado aos inadimplentes, os bancos tinham incentivo direto para recuperar parte de créditos considerados de difícil recebimento. Agora, a negociação envolve clientes que já pagam regularmente suas parcelas, o que reduz o interesse econômico em substituir contratos rentáveis.

Quem poderá participar?

O foco está em pessoas que mantêm bom histórico de pagamento, mas contrataram crédito em um período de juros elevados e continuam comprometendo uma parcela significativa da renda com essas operações. Segundo o Ministério da Fazenda, trabalhadores informais estão entre os públicos prioritários, já que normalmente enfrentam mais dificuldades para acessar linhas de crédito com taxas competitivas.

Poderão participar do Desenrola Adimplentes quem:

  • Ter uma dívida igual ou inferior ao valor de R$ 15 mil
  • Já pagou ao menos quatro parcelas da dívida
  • Estar com as dívidas em dia ou no máximo 90 dias de atraso

A renegociação

A dívida para a nova quitação integral da dívida anterior será ofertada nas seguintes condições:

  • Taxa máxima de 1,99% ao mês
  • Prazo equivalente ao remanescente da dívida original, com possibilidade de ampliação de até no máximo 6 meses, a depender do prazo remanescente da dívida original
  • Limite da prestação de no máximo 90% da dívida original

Novo crédito

Haverá a possibilidade de crédito adicional de até 50% do saldo devedor da dívida original.

Por que o governo criou essa modalidade?

A avaliação da equipe econômica é que muitas famílias continuam pressionadas pelo custo elevado do crédito, mesmo sem estarem inadimplentes. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reduzir essas despesas pode evitar que consumidores passem a atrasar pagamentos caso enfrentem perda de renda ou aumento das despesas.

“O trabalhador informal é quem mais paga juros caros no país”, afirmou Durigan ao participar do programa Bom Dia, Ministro.

A expectativa do governo é preservar a capacidade de consumo das famílias e reduzir o risco de crescimento da inadimplência nos próximos meses.

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O programa deve alcançar muita gente?

A estimativa do mercado financeiro é mais conservadora do que a do governo. Executivos do setor calculam que entre 3 milhões e 4 milhões de consumidores atendam aos critérios em discussão, número inferior ao alcançado pelo Desenrola voltado aos inadimplentes. Também existe resistência entre bancos, que avaliam que a troca de contratos exigirá novos custos operacionais sem oferecer retorno equivalente ao obtido na renegociação de dívidas em atraso.

O impacto vai além do crédito

A criação do Desenrola Adimplentes também tem um componente político. Nos últimos meses, indicadores como desemprego, inflação e crescimento da economia apresentaram melhora, mas isso não se refletiu na mesma intensidade na avaliação do governo. Na equipe econômica, a leitura é que o elevado nível de endividamento continua limitando a percepção de melhora da situação financeira das famílias. Ao reduzir o custo dos empréstimos, o governo espera aliviar o orçamento doméstico e ampliar a renda disponível para consumo, buscando transformar a recuperação dos indicadores macroeconômicos em uma melhora mais perceptível no dia a dia da população.