Camelôs tomam orla de Ipanema e geram crise no comércio local
Camelôs tomam orla de Ipanema e geram crise no comércio

A orla de Ipanema, um dos cartões-postais do Rio de Janeiro, enfrenta uma invasão de camelôs que ocupam o calçadão tombado e a faixa de areia, transformando a paisagem e gerando apreensão entre moradores e comerciantes. O fenômeno, que lembra a realidade de Copacabana, concentra-se entre o Arpoador e a Rua Garcia D'Ávila, onde vendedores ambulantes vendem desde caipirinhas até artesanato, muitas vezes cercando quiosques e barracas legalizadas.

Crescimento do comércio ilegal ameaça negócios legalizados

De acordo com a Associação de Comerciantes da Orla de Ipanema, o número de camelôs irregulares aumentou cerca de 40% nos últimos seis meses, passando de aproximadamente 80 para mais de 110 pontos de venda não autorizados. "Estamos perdendo clientes diariamente. Enquanto pagamos taxas e seguimos regras, os camelôs vendem os mesmos produtos sem nenhum custo", afirma Carlos Mendes, proprietário de um quiosque na altura da Rua Farme de Amoedo.

A situação é mais crítica nos finais de semana, quando a circulação de banhistas e turistas é maior. Os ambulantes montam suas bancas improvisadas ao lado dos quiosques oficiais, oferecendo bebidas, comidas e souvenirs a preços menores, já que não arcam com tributos ou alvarás. "É uma concorrência desleal que pode inviabilizar pequenos negócios que geram empregos formais", alerta a Associação de Bares e Restaurantes do Rio (ABR-Rio).

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Operações da Guarda Municipal não contêm avanço

A Guarda Municipal do Rio realizou, nos últimos 30 dias, três operações de fiscalização na região, resultando na apreensão de mercadorias e na notificação de 45 ambulantes. No entanto, a presença dos camelôs persiste. "Assim que a viatura sai, eles voltam. É um ciclo sem fim", relata um guarda que preferiu não se identificar.

Moradores do bairro também manifestam insatisfação. "A orla está ficando perigosa e suja. Antes, a gente podia andar tranquilo; agora, tem que desviar de barracas e fios elétricos improvisados", reclama a aposentada Maria da Silva, que frequenta Ipanema há 40 anos. A ocupação irregular também preocupa ambientalistas, que apontam riscos à vegetação de restinga e ao ecossistema local.

Impacto econômico e social na Zona Sul

O comércio ilegal não afeta apenas os quiosques, mas também lojas e restaurantes nas ruas adjacentes. Um estudo do Instituto de Economia da UFRJ estima que a informalidade na orla cause uma perda de R$ 2,5 milhões por mês em tributos não arrecadados e redução de vendas nos estabelecimentos formais. "Se não houver uma ação coordenada entre prefeitura, estado e polícia, a tendência é que a situação se agrave", adverte o economista Roberto Santos.

A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria de Ordem Pública, informou que está elaborando um plano de requalificação da orla de Ipanema, que inclui a instalação de câmeras de monitoramento e a criação de um cadastro de ambulantes autorizados. "Não vamos tolerar ilegalidades, mas também precisamos oferecer alternativas de trabalho formal para essas pessoas", declarou o secretário municipal, em nota. Enquanto isso, a orla de Ipanema segue à deriva, com camelôs ocupando cada vez mais espaço e a economia local pagando o preço.

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